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Pode acontecer o contrário, mas tudo indica que corrida será emocionante

12 junho 2016 - 14h03Por Globo Esporte

Se o nível de disputa da sessão que definiu o grid do GP do Canadá, neste sábado, servir de referência para o que pode acontecer ao longo das 70 voltas da corrida, neste domingo, então é possível esperar uma competição nada monótona. Lewis Hamilton, da Mercedes, conquistou sua quinta pole position no Circuito Gilles Villeneuve, 53ª na carreira. Tem tudo para se tornar o primeiro do ranking, cujo líder é Michael Schumacher, com 68, seguido por Ayrton Senna, 65.

O Sportv transmite ao vivo o GP do Canadá às 15h. A TV Globo exibirá um compacto logo após ojogo do Brasil contra o Peru pela Copa América, às 21h30.

Mas o oitavo colocado no grid, em Montreal, Felipe Massa, Williams, ficou a apenas 957 milésimos de Hamilton. Entre o inglês da Mercedes e Massa há seis pilotos, de três equipes, equipadas com três unidades motrizes distintas. Nico Rosberg, companheiro de Hamilton, foi 62 milésimos mais lento na pista de 4.361 metros. O destaque do Q3, o alemão Sebastian Vettel,Ferrari, colocou o coração na boca e tirou 1min12s990, a apenas 178 milésimos de Hamilton, marca excepcional. Houve muito de piloto nesse resultado.

A seguir veio a dupla da RBR-Renault, também bem próxima dos primeiros e entre eles. Daniel Ricciardo, quarto, a 354 milésimos de Hamilton e Max Verstappen, quinto, a 248 milésimos do parceiro. Kimi Raikkonen, sexto, destoou de Vettel, 589 milésimos mais lento. Depois veio a dupla da Williams, Valtteri Bottas, sétimo, a 858 milésimos de Hamilton, e Massa, oitavo, a 99 milésimos do finlandês.

As diferenças mínimas entre os cinco primeiros sugerem que Hamilton e Rosberg não devem abrir um segundo por volta, na média, como em algumas etapas, mesmo este ano. As simulações de corrida, realizadas sexta-feira, com os três tipos de pneus disponibilizados pela Pirelli, macio, supermacio e ultramacio, também indicaram não haver, no Canadá, ninguém com um carro muito mais rápido que os demais.

E há um fator muito importante a ser considerado para entender o andamento da prova, neste domingo: a Pirelli definiu com pneu obrigatório o macio. Isso quer dizer que em algum momento, nem que seja para uma única volta, eles deverão estar nos carros. E a diferença de tempo do ultramacio, o mais usado e escolhido pelos times, para o macio, é de pelo menos um segundo por volta. Entre os dois há o supermacio, tipo de pneu que o alemão Nico Hulkenberg, da Force India, nono no grid, vai largar, por tê-lo utilizado para registrar seu tempo no Q2. Os demais, dentre os dez primeiros, começam a corrida com ultramacios.

Outra questão a ser observada é a temperatura na hora da prova. A meteorologia prevê que será um pouco mais baixa que neste sábado. Durante a classificação variou de 14,4 a 15,7 graus, e a do asfalto, de 18,7 a 22,3 graus. Menos calor significa ainda maior dificuldade para aquecer os pneus. “Precisei de duas voltas”, disse Hamilton, depois de estabelecer a pole position. “Eu de três”, afirmou Bottas.

Esse fator interfere diretamente do desempenho dos carros na largada, sempre importante, apesar da possibilidade de ultrapassagem no traçado canadense, e na volta de saída dos boxes em seguida aos pit stops.

VETTEL VOOU BAIXO

As razões principais de Vettel ter sido quase tão rápido quanto Hamilton e Rosberg, neste sábado, foram sua condução espetacular e a melhora do modelo SF16-H em dois aspectos, em especial. O primeiro foi a introdução de um novo turbocompressor, que custou 2 tokens aos italianos. Eles têm, agora, somente mais quatro até o fim do campeonato para tornar sua unidade motriz mais eficiente.

A Mercedes já usou 21 dos 32 permitidos e dispõe, portanto, de 11 ainda. A Honda, com os dois de Montreal, restam 12. A Renault está bem nessa história, com impressionantes 21 tokens para gastar, e sua unidade motriz já avançou muito. Pode surpreender nas etapas finais, quando Ferrari, Mercedes e Honda não tiverem mais nada e eles estarem ainda trabalhando sua unidade.

Vale lembrar que o conhecimento adquirido este ano será muito válido para as unidades do ano que vem, quando não haverá mais limitação de desenvolvimento.

O segundo motivo de Vettel ter ficado a 178 milésimos de Hamilton é uma combinação entre a estreia de uma nova suspensão traseira, concebida para atenuar a dificuldade de o SF16-H aquecer os pneus para uma volta lançada, apenas, nas classificações, e o novo procedimento para aquecê-los. Os técnicos da Ferrari, depois de em Mônaco, de novo, Vettel e Raikkonen sofrerem na definição do grid com esse grave problema, sugeriram outro comportamento dos pilotos. Vettel gostou muito do carro. A chance de sucesso na F1 está relacionada diretamente à posição de largada.

Os pilotos e seus engenheiros têm uma boa ideia da estratégia a ser adotada para as 70 voltas da competição. Os ultramacios deram uma autonomia média de 25 voltas para os mais velozes nas simulações de sexta-feira. Os supermacios, um pouco mais, enquanto os macios provavelmente suportariam quase os 300 quilômetros da corrida se realizada sob baixa temperatura.

VALE A PENA PARAR MAIS

Uma opção de estratégia lógica, para os dez primeiros, exceto Hulkenberg, numa condição normal, é largar com os ultramacios, permanecer com eles até a volta 25, mais ou menos, e passar para os macios. Seria pit stop único. Mas o Circuito Gilles Villeneuve é, ao mesmo tempo, o que permite ao piloto perder menos tempo, dentre todos do calendário, nas paradas.

Os pilotos saem da pista e já entram nos boxes, direto, e a faixa de saída é da mesma forma bastante curta. Some a isso o fato de o traçado ter um ponto de ultrapassagem dentre os mais bem definidos da F1, no fim da grande reta, antes da entrada dos boxes.

Existe ainda um cenário capaz de quase apagar o que cada time produziu nos treinos livres e na definição do grid: chuva. A meteorologia diz ser possível para o início da tarde, horário da largada, 15 horas, horário de Brasília, 14 horas em Montreal.

Ninguém andou com os pneus para chuva intensa ou os intermediários no Circuito Gilles Villeneuve, este ano. E os guardrails ou muros são bem próximos do limite do asfalto. Se o piso estiver molhado, as chances de várias entradas do safety car são elevadas. Na verdade, mesmo que não chova o GP do Canadá tem histórico de neutralização da corrida com o safety car, pela ausência de áreas de escape em vários trechos da pista.

Esse é um elemento que entra nos estudos de estratégia das escuderias. Os engenheiros deixam sempre em aberto a estratégia. “Se nesse faixa de voltas o safety car for acionado então paramos e trocamos os pneus”, costumam explicar os técnicos.

Há quem torça por chuva, como Max. Ele foi herói, em Barcelona, ao vencer na estreia na RBR, com 18 anos, e vilão em Mônaco, por bater nos três dias de carros na pista. Mas em Montreal, até agora, ratificou o imenso talento que parece ter. Obrigou o bem mais experiente companheiro de RBR, já vencedor no Canadá, em 2014, Ricciardo, a até raspar no muro dos campeões para ser mais rápido que ele.

“A Ferrari parece estar muito rápida aqui, mas se chover as coisas melhoraram para nós”, afirmou o destemido Max.

O oitavo tempo deixou Massa feliz, por não ter no seu FW38-Mercedes o mesmo aerofólio traseiro do existente no carro de Bottas. O DRS, flap móvel, não regressou à posição de maior pressão aerodinâmica, no primeiro treino livre, na freada da curva 1, e Massa bateu forte, destruindo o conjunto traseiro do seu monoposto. Precisou seguir no fim de semana com a aerodinâmica antiga. Mesmo assim foi somente 99 milésimos mais lento que Bottas.

O diretor de operações da Williams, Rob Smedley, disse lamentar ter compreendido que seu time é, agora, apenas a quarta força da F1, atrás da Mercedes, Ferrari e RBR. “Vamos lutar por bons pontos aqui em Montreal”, afirmou.

Na Sauber, Felipe Nasr não tinha a mesma satisfação de Massa. “Não pude aproveitar a segunda volta lançada, não havia aderência, acho que por causa da leve chuva. De manhã o carro estava melhor.” O brasiliense larga em 20º, enquanto o companheiro, o sueco Marcus Ericsson, em 19º. Não é bom para a imagem de Nasr ficar a 1s028 de Ericsson. Nasr é bem mais piloto que o sueco, mas é essa matemática simples, e ingrata, que aparece para muita gente, mesmo da F1.

Para Nasr ou Ericsson marcarem pontos na sétima etapa do campeonato, neste domingo, será preciso que quem está na sua frente enfrente dificuldades. O C35-Ferrari da Sauber, exatamente o mesmo da apresentação, dia 1º de março em Barcelona, já está mais lento que o MRT05-Mercedes da Manor. O alemão Pascal Werhlein, da Manor, se classificou na frente de Ericsson e Nasr, em 18º.