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São Paulo vive 'turbulência sem fim' fora de campo

G-4

01 novembro 2015 - 10h27Por UOL Esporte

O São Paulo venceu por 3 a 0, dormiu no G-4 do Brasileirão antes dos jogos de domingo, mas nem assim conseguiu ter uma noite de sábado de plena paz no Morumbi. Depois de bater o Sport, o clube viu Alexandre Pato confirmar que não ficará em 2016, Luis Fabiano - também de saída - mandar recado à diretoria, e Michel Bastos mandar um "cala a boca" à própria torcida depois de marcar o terceiro gol da vitória. Todas as situações, principalmente a última, repercutiram no Morumbi nas horas seguintes ao apito final do jogo.

Entre a diretoria, houve comentários quanto à atitude de Michel Bastos. Quem se manifestou se mostrou contrário e repreendeu a insurgência contra os são-paulinos que estavam nas arquibancadas. Não entenderam o sentido e tom da reação do jogador. Em nenhum momento no Morumbi, no entanto, falou-se em punição, segundo apurou o UOL Esporte.

Depois da partida, Michel Bastos não quis se pronunciar ao sair de campo nem em zona mista, ao deixar o estádio cerca de uma hora depois do apito final. Saiu da forma que pediu à torcida, calado. Coube ao técnico Doriva, então, comentar em entrevista coletiva o comportamento do jogador: "A gente sabe que os nervos estão à flor da pele. Realmente não é fácil, principalmente no primeiro jogo pós-eliminação. Michel não se conteve, infelizmente". Segundo quem assistiu à partida nas cativas vermelhas do estádio, próximo ao ponta direita são-paulino no segundo tempo, houve algumas críticas pontuais e pedidos pela entrada do atacante Rogério, o que poderia ter causado a revolta de Michel.

A declaração de Pato não causou impactos na diretoria porque se origina na própria cúpula: como já dito pelo novo presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, dificilmente o clube terá condição de desembolsar quantia milionária para manter Pato no elenco ao término da temporada. O atacante que marcou 26 gols no ano e é o artilheiro da equipe está emprestado ao São Paulo e tem contrato por mais uma temporada com o rival Corinthians, que não o libera, no entendimento do São Paulo, por menos de 6 milhões de euros (R$ 25 milhões). Em situação financeira muito delicada, o São Paulo não vê condição de comprá-lo.

"Eu não vou ficar no São Paulo no ano que vem, todos já sabem. O Leco deu uma entrevista que não tem como me contratar. Vou trabalhar para ajudar o São Paulo a jogar a Libertadores do ano que vem, não só nós, mas outros jogadores jogarem. Estou fazendo meu melhor em todos os jogos, trabalhando esses dias que faltam para entrar de férias. Quero entrar de férias logo", falou Pato, ao deixar o Morumbi no sábado.

As declarações de Luis Fabiano aconteceram ainda no intervalo e soaram como críticas sutis à diretoria são-paulina. O atacante que recebe R$ 550 mil mensais e tem contrato até o fim deste ano precisaria reduzir pela metade seu salário para permanecer no clube - a diretoria pretende estabelecer teto salarial de R$ 300 mil para 2016, para novos contratos, devido à situação financeira do clube. Neste momento, não há conversa de renovação com o camisa 9 e é improvável que ele fique. Ao ser questionado sobre sua próxima temporada, dentro ou fora do Morumbi, o atacante falou:

"Pelo que vejo nos outros times eu tenho muita lenha pra queimar ainda. O importante é ter momentos melhores, ambiente bom, apoio, motivação extra. Isso faz diferença. Ano que vem eu vou estar melhor ainda", à rádio CBN.

Ao final, com menos repercussão e sem tom crítico, o técnico Doriva também deu declaração que pode levantar polêmicas. Elogiou o veterano Diego Lugano, que o São Paulo pensa em contratar para 2016, mas disse que "não basta ser um grande ídolo" para voltar e que ele precisará mostrar que poderá contribuir como atleta, dentro de campo. A declaração vai de encontro ao que pensam importantes membros da diretoria, que julgam que a presença de Lugano no elenco se faz importante na próxima temporada mais fora do que dentro de campo, porque, segundo tal análise, o plantel atual precisa de um modelo de comportamento e comprometimento no qual se espelhar.