Política

04/04/2019 07:00

ATÉ NISSO: Puccinelli bate carro fazendo 'caca' no trânsito e pode pagar R$ 20 mil

Curiosidade: audiência foi adiada porque oficial de justiça procurou ex-governador em Fátima do Sul, onde ele não mora mais há umas 3 décadas

04/04/2019 às 07:00 | Atualizado 14/07/2019 às 23:07 Celso Bejarano, de Brasília
Wesley Ortiz

A Sul América Companhia Nacional de Seguros move uma ação regressiva de ressarcimento no valor de R$ 20.124,45 (sem as correções), na 14ª Vara Cível de Campo Grande, contra o ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (MDB), por ele ter se envolvido num acidente de trânsito em maio de 2016, quase três anos atrás. A soma indenizatória refere-se à quantia que a seguradora pagou para a dona do veículo que ficou danificado na batida.

No início da tarde de 2 de maio de 2016, Puccinelli trafegava pela Rua Espírito Santo e, segundo ele mesmo admitiu, à época, invadiu a Avenida Afonso Pena, via preferencial, chocando-se num Honda City, guiado por Elsa Corrêa Bastos Maffei. O acidente ocorreu em trecho do Jardim dos Estados.

O ex-governador dirigia um Fiat vermelho, veículo que havia ganhado de presente de servidores estaduais próximos a ele no fim do mandato, em dezembro de 2014.

“Como é público e notório age com culpa manifesta o condutor que causa danos no veículo que circula de forma defesa, inafastável a sua condenação ao ressarcimento dos prejuízos suportados pelos condutores, que trafegam em condição de normalidade”, diz trecho da ação de ressarcimento, tocada pelo escritório de advocacia Máximo de Souza & Coriolano.

Há duas curiosidades neste processo contra Puccinelli: o fato de ele ter confidenciado culpa no dia do acidente e, ainda assim, o caso ter ido parar na Justiça. Presumível seria pensar o que condutor que assume o erro também arcaria com as despesas, o que não ocorreu.

“A autora [seguradora] procedeu a inúmeras tentativas de composição amigável que, todavia, se restaram infrutíferas”, descreve a ação, sugerindo que havia fracassado a intenção de um acordo extrajudicial com o ex-governador.

Marca registrada do ex-governador, carro tinha placa com final 15, número de campanha do MDB - Foto: André de Abreu/Arquivo

Outra questão curiosa que consta no processo de número 0838063-24.2018.8.12.0001: para notificar Puccinelli, um oficial de justiça o teria procurado na Rua Marechal Rondon,  926, parte central de Fátima do Sul, cidade situada a quase 240 quilômetros de Campo Grande.

Puccinelli não reside mais em Fátima do Sul há pelo menos três décadas. Ele mora há anos no edifício Champs-Élysées, na Avenida Euclides da Cunha, no Jardim dos Estados, uma das regiões mais chiques da capital sul-mato-grossense.

Ainda de acordo com a apelação, é dito que a justiça cancelou no dia 7 de março passado uma audiência com o governador por “falta de tempo hábil para citação/intimação da parte requerida”.

Amigável

No dia do acidente, conforme noticiado pela imprensa campo-grandense, Puccinelli admitiu o erro e disse à dona do Honda que pagaria pelo estrago mecânico. Mais que isso: o ex-governador afirmou ter emprestado o carro de Beth, a ex-primeira-dama, um Corolla, para Elsa Corrêa e que a gentileza duraria até o veículo batido saísse da oficina.

Puccinelli é réu em processos da Lama Asfáltica, operação da Polícia Federal,  deflagrada em 2015,que investiga esquema de corrupção supostamente sustentado no período que o Estado era governado por ele (2007-2014). O ex-governador chegou a ser preso por duas ocasiões no ano passado. Processos contra o chefe do MDB l correm na Justiça Federal e também na Estadual.

Só um punido

Embora a apuração ocorra há quase quatro anos, até agora, apenas uma entre as dezenas de pessoas supostamente envolvida na trama, foi condenada.

Edson Giroto, ex-secretário de Obras da ex-gestão de Puccinelli, que está preso há quase um ano em Campo Grande, foi sentenciado no mês passado a nove anos de prisão.