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domingo, 27 de setembro de 2020
Política

Puccinelli é citado 19 vezes na sentença que condenou Giroto a 9 anos, 10 meses e 3 dias de xadrez

Ex-governador, comparsa do ex-secretário de Obras de MS, segundo a PF, também será julgado por crime de corrupção

19 março 2019 - 13h10Por Celso Bejarano, de Brasília

Ex-governador André Puccinelli, que assumiu semana passada o MDB já com status de eventual candidato do partido na disputa pela prefeitura de Campo Grande, em 2020, foi citado 19 vezes na sentença de 47 páginas que condenou o ex-deputado federal e ex-secretário de Obras, Edson Giroto, a mulher e o cunhado dele por lavagem de dinheiro.

A condenação de Giroto, aplicada na sexta-feira passada (15), de 9 anos, dez meses e três dias de cadeia, foi noticiada em primeira mão pelo TopMidiaNews, no sábado (16).

O ex-secretário, fiel escudeiro político de Puccinelli há pelo menos duas décadas, preso desde maio do ano passado, foi sentenciado por ter “ocultado e dissimulado a origem [do dinheiro], disposição, movimentação e propriedade de R$ 7.630.000,00”, soma que teria sido captada por meio de corrupção.

Ele teria recebido propina e, com o recurso comprado áreas rurais, meio de lavar o dinheiro, segundo denúncia proposta pelo MPF (Ministério Público Federal).

Na condenação de Giroto, Puccinelli é citado a cada duas páginas. E o magistrado que sentenciou o ex-secretário de Obras, Bruno Teixeira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, é o mesmo que vai examinar os processos contra o ex-governador, também denunciado por corrução pelo MPF.

Aqui uma das referências ao emedebista: “André Puccinelli foi governador de MS no período de 2007-2014. No exercício deste cargo, e ao lado de Edson Giroto e João Amorim [empreiteiro, também preso por corrução], participou da articulação e da coordenação do amplo esquema criminoso descoberto pelos investigadores. Mantinha [Puccinelli] contato permanente com a Proteco [empresa de Amorim], pessoalmente ou através de interpostas pessoas. Sob seu comando e de Edson Giroto, foram firmados diversos contratos fraudulentos que beneficiaram a Proteco”.

Nota-se no trecho da decisão que Puccinelli seria o chefão do esquema que, segundo cálculos do MPF, teria desviado em torno de R$ 430 milhões dos caixas do governo, período conduzido pelo emedebista.

“Provavelmente daqui em diante a corte federal deve aplicar duras penas aos envolvidos. Dificilmente os réus conseguem sair dessa”, afirmou um dos advogados que atua no caso, mas que preferiu não ver o nome publicado.

Isto é, caso Puccinelli seja condenado – o que pode acontecer neste ano – segundo o advogado ouvido pela reportagem – deve desistir da carreira política diante dos embaraços judiciais. Amigos próximos do ex-governador, contudo, ainda acreditam na sobrevivência política dele.

Até agosto do ano passado, segundo o MPF, Puccinelli, Giroto e Amorim, que vencia licitação por obras com facilidade na gestão do ex-governador, e outros 36 pessoas integravam a 8ª denúncia no âmbito da operação Lama Asfáltica, tocada desde 2015 pela PF, MPF, Controladoria-Geral da União e Receita Federal.

A condenação

Giroto foi condenado a quase dez anos de cadeia; Rosana, com quem é casado, foi sentenciada a cinco e anos e dois meses de prisão e Flávio Henrique Garcia Scrocchio, cunhado do ex-secretário, teve a pena privativa de liberdade de sete anos, e 15 dias.

Pela decisão judicial, Rosana que cumpre pena domiciliar desde maio de 2018, por ter filha pequena, terá de pagar R$ 70 mil de fiança.

Os três sentenciados ainda terão de pagar de indenização de “valor mínimo de R$ 7.630.000,00”, segundo a decisão.

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