Cidades

30/05/2019 09:45

Antes de morrer, Adriano pediu três vezes desculpa a PRF, diz testemunha

Testemunhas ainda contaram que pediram identificação, mas que o policial se recusou a falar

30/05/2019 às 09:45 | Atualizado 30/05/2019 às 18:02 Rodson Willyams e Dany Nascimento
Testemunha Agnaldo Spinosa da Silva. - André de Abreu

Agnaldo Spinosa da Silva, segunda testemunha a ser ouvida na manhã desta quarta-feira (30) em julgamento, afirmou que o empresário Adriano Correia do Nascimento chegou a pedir por três vezes desculpas ao policial Ricardo Hyun Su Moon. O julgamento acontece no Tribunal do Júri, em Campo Grande.

Agnaldo que estava no carro com o enteado, Vinicius Ortiz, afirmou que o policial fechou o carro para fazer a abordagem. "Paramos sinal, ele [Ricardo] veio e abordou o veículo na frente. Ele desceu e começou xingar a gente de vagabundo, daí pegou telefone pra chamar polícia. Adriano pediu três vezes desculpas pra ele".

E continuou: "pedimos identificação dele[a Ricardo]. Estava vestido normal. Ele falou que não ia mostrar nada naquele momento. Eu desci e fui na lateral caminhonete e ele puxou arma e apontou. Adriano me chamou de volta, entrei, e ele discutia com os três. Ele chamou meu filho de suspeito pela cor. Meu filho mostrou as mãos pra ele. O Adriano deu ré e tirou de trás do carro do policial".

Agnaldo contou como foi o momento dos disparos de arma de fogo. "Eu me joguei para banco da frente e não acertaram em mim os tiros. A caminhonete bateu no poste e meu filho ficou desmaiado no banco de trás. Gritei e o Adriano que não respondia mais. Tentei sair do carro, pulei a janela, quebrei o braço e só estava uma pessoa no local gritando para ele parar. Era uma mulher, ele apontou arma de novo pra mim, quando meu filho voltou e tentou sair do carro e a polícia já estava lá e apontou arma também, como se nós fossemos os bandidos".

Primeira testemunha

Vinicius Ortiz, primeiro a ser ouvido afirma que Ricardo apontou a lanterna durante a abordagem. "Falava que eu estava armado, era suspeito e discutiu com meu pai [Agnaldo]. Vi ele apontando a arma, estava com vidro aberto e o Adriano também. O Adriano deu ré porque não conseguia sair da frente da Frontier e levei tiro nas duas pernas".

Vinicius Ortiz, primeiro a ser ouvido. Foto: André de Abreu.

Ao ser questionado se Adriano teria consumido bebida alcoólica, Vinicius afirmou. "Adriano bebeu, mas não sei se estava alcoolizado. Bebemos antes de ir para boate no Botequim Carioca, tomamos cerveja e passamos em casa para deixar celular carregando. Na boate tinha vodka".