Interior

20/07/2020 15:19

Filha de médico morto por covid acusa: 'ele esperou UTI por 30 horas'

Ela é advogada e acionou o Ministério Púbico contra o Hospital da Vida

20/07/2020 às 15:19 | Atualizado 20/07/2020 às 15:52 Thiago de Souza
Hédio Frazan - Dourados Agora - arquivo

A filha do cardiologista Dirceu Ferreira Guimarães, 82 anos, morto pela covid-19, no dia 6 de julho, denuncia que o pai esperou por vaga em UTI por 30 horas no Hospital da Vida, em Dourados.

Valeska Guimarães também é advogada e diz ter levado o caso até o Ministério Público Estadual.

Ao Progresso, Valeska disse que o pai se internou no dia 18 de junho, com dificuldades respiratórias. Ele foi levado para a área vermelha da unidade em estado grave. A filha garante que houve recomendação médica para Dirceu ir para uma UTI, mas havia vaga.

"Um fato que me chamou a atenção é que tínhamos que ficar solicitando vagas o tempo todo. O Município deveria ter um sistema que pudesse rastrear a fila de espera com prioridade aos idosos. Não foi isso que vimos", ressalta, observando que ela e o irmão praticamente "acamparam" no hospital para garantir que o pai fosse atendido. Segundo a filha, no hospital da Vida os leitos de UTI novos estavam desativados.

Ainda na denúncia, Valeska lembra que conseguiu UTI após 28 horas de espera. Ela destaca que o primeiro exame feito pelo pai deu negativo para a covid. No entanto, após passar pela área vermelha e ter contato com outros pacientes, ele testou positivo quando chegou ao Hospital Universitário.

A advogada ingressou com ação na expectativa de alertar o poder público sobre a falta de vagas de UTI, já que ficou indignada ao ver a Prefeitura informar a disponibilidade de leitos quando a realidade é outra, observou Valeska.