Polícia

16/05/2021 13:30

Serial killer e homofobia em MS levantam alerta na comunidade LGBT

Gays sofrem com violência familiar, de conhecidos e também correm sérios riscos ao procurarem app de relacionamentos

16/05/2021 às 13:30 | Atualizado 16/05/2021 às 16:30 Rayani Santa Cruz
Jovens gays foram mortos e entidade acredita que assassino é homofóbico agindo por ódio - Reprodução Banda B

Casos de homofobia, agressões e mortes de homossexuais estão cada vez mais frequentes e preocupam entidades. Em Mato Grosso do Sul, Raphael Espíndola foi espancado por um grupo de homens em 4 de fevereiro, simplesmente por ser gay. O caso ocorreu em Naviraí e causou comoção pelo fato do rapaz terminar com o braço quebrado e não conseguir trabalhar.

Nas últimas semanas, o país registrou duas mortes de gays em Curitiba, que podem ter sido motivadas por homofobia. As características dos assassinatos são parecidas e os jovens marcaram encontros por aplicativo de relacionamento antes de serem mortos.

Conforme o site Banda B, depois dos homicídios, a entidade Aliança Nacional LGBTI+ vai iniciar uma campanha de alerta para aplicativos de relacionamento em Curitiba. O diretor-presidente da entidade, Toni Reis, confirmou que o grupo acompanha com muita apreensão a investigação em torno da morte de David Levisio, de 30 anos, e Marcos Vinício Bozzana da Fonseca, de 25, e teme que o assassino possa ser o mesmo motivado pelo preconceito. 

“Os discursos extremistas de certas lideranças não matam as pessoas, mas afiam a faca que matam pessoas. O que precisamos é de vida e vida em abundância”, concluiu. A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga ambos os casos, inclusive de Marcos Vinício, campo-grandense que estudava medicina em Curitiba.

Caso em MS

O autônomo Raphael Espíndolla foi ao Facebook denunciar que foi vítima de uma agressão covarde, simplesmente pelo fato de ser homossexual, em Naviraí. Ele teve o braço quebrado e ficou sem trabalhar por um período. (Clique aqui  e aqui para ver o caso)

Raphael registrou boletim de ocorrência da Delegacia de Polícia Civil da cidade, e o desabafo na rede social ganhou repercussão.

Ele disse que em relação a sua sexualidade, era ‘’bem assumido para todos’’ e que, no dia 4 de fevereiro, três rapazes teriam se juntado e o agredido. 
‘’...ele [o acusado] sempre me disse ser homofóbico. Pegou um pau de cerca e veio para me bater. Eu apenas me defendi e coloquei meu braço na frente e infelizmente quebrou meu braço...’’, relatou a vítima. 

                                         

(Raphael foi agredido e teve o braço quebrado por um grupo de homofóbicos de Naviraí. Foto: Reprodução Facebook)

Raphael destaca que, caso não tivesse colocado o braço na frente, a situação seria pior.  ‘’...se eu não me defendesse talvez não estaria nem aqui’’, lamentou. ‘’Como pode existir alguém assim? Para ele deve ser bonito falar para os amigos que agrediu um gay sozinho, com seus amigos’’, refletiu. 

A vítima pediu justiça e ressaltou que homofobia é crime. ‘’Quero justiça, porque agr vou ter que ficar parado, enquanto o bonito está bem. Peço a ajuda de vocês e a ajuda de quem me considera como amigo’’, suplicou o autônomo.