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há 4 meses

Secretário admite calote a fornecedores e risco de colapso da Saúde em Campo Grande

Audiência na Câmara Municipal reforça dívidas de mais de 400 dias com empresas de insumos médicos; vereadores apontam que a prefeitura reteve recursos do orçamento da saúde

28/02/2026 às 11:08 | Atualizado 28/02/2026 às 09:53 Diana Christie
Secretário admite calote a fornecedores e risco de colapso da Saúde em Campo Grande - Izaias Medeiros/CMCG

A audiência de prestação de contas da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) do último quadrimestre de 2025, realizada nesta sexta-feira (27), registrou a admissão de dívidas do município com fornecedores de saúde. Durante a sessão, o secretário de Saúde, Marcelo Vilela, e vereadores debateram a falta de medicamentos, o atraso nos repasses e a troca de comando na pasta durante a gestão da prefeita Adriane Lopes.

No fim da audiência, o empresário Alex, proprietário da Java Med Hospitalar, pediu a palavra para cobrar pagamentos atrasados da prefeitura. Ele relatou que a empresa fornece materiais para o município há mais de quatro anos e corre o risco de encerrar as atividades e demitir 14 funcionários devido à inadimplência da gestão municipal.

O empresário detalhou os valores e o tempo de atraso: "Estão devendo para a nossa empresa R$ 531 mil. Eu entrego fralda geriátrica, soro fisiológico. Tem nota aqui desde 8 de janeiro de 2025, doutor [...] 400 dias. Como que eu posso ser parceiro, doutor?".

O vereador Landmark (PT) confirmou a existência de pendências financeiras com outras empresas que prestam serviços à Sesau. Ele relatou o caso de distribuidoras de gases medicinais: "Eu recebo aqui as empresas que fornecem oxigênio para o município, para as unidades de saúde. Também estão sem receber repasse desde 2022, 2023".

Orçamento e falta de medicamentos

O secretário Marcelo Vilela argumentou que o município aplicou 30,62% de sua arrecadação na saúde em 2025. Vilela atribuiu as dificuldades do sistema ao repasse de verbas federais, referindo-se à situação como "subfinanciamento".

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) contestou a justificativa do secretário. Ela apresentou dados da execução orçamentária do município indicando que a prefeitura tinha recursos próprios previstos para a compra de medicamentos, mas não efetuou os pagamentos aos fornecedores.

A vereadora citou a rubrica destinada à aquisição de remédios para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS): "[diz] que dos recursos da prefeitura de R$ 13 milhões propostos, foram pagos só R$ 562 mil. Cadê? Fez o que com o restante do dinheiro?".

Em seguida, Luiza Ribeiro criticou a gestão do orçamento sob o comando da prefeita Adriane Lopes. "E não é possível que a gente aceite, numa audiência como essa, que tem subfinanciamento da saúde em Campo Grande. Porque não é essa a realidade". Ela registrou que, no dia da audiência, dos 22 medicamentos previstos para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), apenas 8 estavam disponíveis.

Trocas na gestão e impacto nos servidores

A administração da Sesau passou por mudanças recentes. A ex-secretária Rosana Leite foi destituída pela prefeita Adriane Lopes, que instaurou um comitê gestor na pasta. O vereador Landmark referiu-se a esse comitê como uma "junta militar", que não ajudou na recuperação da administração.

Os parlamentares também cobraram ações para a infraestrutura física e para o quadro de funcionários. O vereador Wilson Lands (Avante) solicitou intervenções no Centro Regional de Saúde (CRS) Coophavila, apontando falta de manutenção no local.

O vereador Landmark relatou o impacto das condições de trabalho na saúde ocupacional da equipe da Sesau: "muitos servidores com problemas com pressão psicológica, com problemas psicológicos, com ansiedade".