10/03/2026 08:54
Juliano Ferro prepara renúncia e deixa PL para se juntar ao reinado das polêmicas
O autointitulado "prefeito mais louco do Brasil" articula trocar o comando de Ivinhema por um projeto estadual audacioso. Manobra de bastidores prevê chapa pura de conservadores
A janela eleitoral de 2026 mal abriu e o cenário político de Mato Grosso do Sul já registra seu primeiro abalo sísmico. Provando o apelido de "prefeito mais louco do Brasil", o mandatário em Ivinhema, Juliano Ferro, está de malas prontas para renunciar ao cargo e abandonar o Partido Liberal (PL).
O destino traçado nos bastidores é o Parque dos Poderes, em Campo Grande. De acordo com informações apuradas pela reportagem, a manobra tem um objetivo claro: compor uma chapa majoritária "puro-sangue" ao lado do deputado estadual João Catan para a disputa do Governo do Estado. Atualmente, Ferro cumpre agenda em Brasília, acompanhado da ex-esposa, Samara Ferro.
Para viabilizar a aliança e driblar as amarras e disputas internas do PL, Ferro precisará pular fora da sigla pela qual se consolidou como liderança no Vale do Ivinhema.
A estratégia traçada pelos articuladores é construir um palanque que una duas forças distintas, mas complementares no nicho conservador: o forte engajamento digital e a popularidade "populista" de Juliano Ferro no interior; e a base conservadora orgânica de João Catan, concentrada principalmente na Capital.
A articulação antecipa o calendário eleitoral e promete bagunçar o xadrez das legendas tradicionais, que já contavam com o cenário estadual pacificado para 2026.
Enquanto Juliano Ferro ensaia seu "voo duplo" rumo à Governadoria, quem fica com a conta, e com a incerteza, é o eleitor de Ivinhema. A iminente renúncia significa entregar a chave do cofre municipal para o vice-prefeito antes do fim do mandato. Em Campo Grande, isso deu no que deu…
Ferro deixa para trás a caneta que comanda obras milionárias e promessas de campanha recentes para se aventurar em um projeto incerto. Resta saber se o capital político construído à base de polêmicas e vídeos virais nas redes sociais será suficiente para sustentar uma candidatura majoritária ao Governo de Mato Grosso do Sul.
Até o momento, a articulação é tratada nos corredores do poder, e o prefeito ainda não oficializou a renúncia e a desfiliação nos microfones.
Raio-X da Chapa: acúmulo de polêmicas
Se confirmada, a chapa Ferro/Catan unirá dois dos políticos mais polêmicos da história recente de MS. Relembre os casos que marcaram a trajetória de ambos:
Deputado João Catan (PL)
- Discurso com "Mein Kampf" (2023): exibiu o livro de Adolf Hitler na tribuna da Assembleia Legislativa, alegando criticar "táticas ditatoriais", gerando repúdio nacional e acusações de apologia ao nazismo.
- Tiros na Assembleia (2022): participou de sessão remota direto de um estande de tiro e disparou com uma pistola ao votar projeto a favor de CACs, resultando em processo no Conselho de Ética.
- Embate com a Cassems (2024): acusado pelo presidente da instituição de criar uma "fábrica de mentiras" após questionamentos agressivos sobre as contas da caixa de assistência.
Prefeito Juliano Ferro
- Agressão com Barra de Ferro (Dez/2025): flagrado por câmeras agredindo violentamente um homem em um posto de combustíveis em Ivinhema. Admitiu a autoria, alegando ser um "desafeto antigo".
- Investigação da PF e Bens do Tráfico (2024): alvo da PF após relatórios apontarem que morava em casa de traficante preso e usava caminhonetes de luxo (Silverado e Dodge Ram) ligadas ao esquema criminoso. Os veículos foram leiloados.
- Bloqueio de Bens por Rifas Ilegais (2022): bens bloqueados a pedido do MP por promover rifas ilegais na internet. Acusado de usar o lucro (incluindo compra de carro de R$ 500 mil) para benefício próprio, sob falsa justificativa de ajuda a entidades.
- Violência Doméstica e Celular Quebrado (Jan/2026): ex-namorada registrou B.O. e pediu medida protetiva alegando que o prefeito quebrou seu iPhone 17 com uma pedra. Ele admitiu quebrar o aparelho, mas negou agressão física.