In Memoriam

há 2 meses

'Tchau, até amanhã': babá lembra despedida simples de criança morta após idas e vindas a UPAs

Entre as diversas memórias, João Guilherme Jorge Pires está marcado na vida da mulher

24/04/2026 às 15:00 | Atualizado 24/04/2026 às 17:04 Sarai Brauna
Arquivo familiar

A morte de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, segue causando comoção em Campo Grande. Descrito como uma criança alegre e cheia de energia, João deixou lembranças marcantes por onde passou. Uma delas veio da babá, Ana Ferreira Vicente, que conviveu com o menino na rotina do dia a dia.

Descrito como cheio de energia, Ana conta que estava sempre reunido com seu pequeno grupo de amigos. “Ele era uma criança brincalhona, gostava de brincar de esconde-esconde, de pintar com as minhas meninas. Sempre sorridente”, relembrou.

Segundo ela, João ficava sob seus cuidados no período entre a saída da escola, por volta das 11h, até o início das atividades em um projeto recreativo na parte da tarde. Depois, ao fim do dia, ela o levava para casa.

Mas foi um gesto simples que ficou marcado na memória da mulher. “Na hora de ir embora, ele sempre falava: ‘tchau, Ana, até amanhã’”, contou.

A frase, repetida na rotina, hoje ganha um peso diferente diante da perda precoce e inesperada da criança.

João também participava de atividades como encontros religiosos e projetos educativos, nos quais passava o tempo brincando, desenhando e interagindo com outras crianças.

O caso

A morte do menino ocorreu após dias de idas e vindas a unidades de saúde da Capital. Segundo a família, o problema começou após uma queda no dia 2 de abril. Desde então, ele passou por atendimentos na UPA Tiradentes, UPA Universitário e Santa Casa.

Inicialmente liberado apenas com medicação para dor, João retornou diversas vezes com sintomas persistentes, incluindo dores no peito. Em um dos atendimentos, o quadro foi atribuído à ansiedade.

Dias depois, foi identificada uma possível lesão na perna, que acabou sendo imobilizada. No entanto, poucas horas após deixar o hospital, o menino passou mal, desmaiou e precisou ser levado às pressas para atendimento.

Ele chegou desacordado à unidade de saúde, foi reanimado e transferido para a Santa Casa, mas não resistiu.

A família questiona a condução dos atendimentos e cobra respostas sobre o que pode ter causado a morte da criança.

O caso foi registrado na Polícia Civil e segue sob investigação.