O pequeno João Guilherme Jorge Pires, de apenas 9 anos, deixa uma dor imensa e também uma lembrança cheia de sonhos, talento e alegria. Ele morreu após dias sentindo dores no joelho, que não foram solucionadas mesmo comparecendo a diferentes unidades de saúde de Campo Grande. A família segue com pedido de justiça por desconfiar de negligência médica.
Mais do que a tragédia, a família quer que João seja lembrado por quem ele era: um menino cheio de vida, comunicativo e apaixonado pelo que fazia.
Segundo a irmã, Stephany Jorge Menezes, João tinha um sonho muito claro - e falava sobre ele com convicção. “Ele dizia que ia ser o maior desenhista do mundo”, conta.
E não era só sonho de criança. A família garante que ele realmente tinha talento. João adorava desenhar, principalmente elementos da natureza, e se dedicava com entusiasmo à atividade que mais amava.
Além disso, ele também se destacava no futebol. “Ele amava desenhar e era um ótimo jogador de futebol”, relata a irmã. Desejo intensificado pelo amor ao seu time do coração, Corinthians.
Falante e cheio de personalidade, João também era conhecido pelo jeito espontâneo e pelas frases marcantes. Em casa, costumava dizer que era um “homem raiz”, gostava de brincar ao ar livre, jogar bola e desenhar o mundo ao seu redor.
A mistura de criatividade com energia fazia dele um menino cativante, daqueles que deixam marca por onde passam.
O caso
A morte de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, está sendo investigada após uma sequência de atendimentos em diversas unidades de saúde de Campo Grande. A suspeita é de possível negligência médica. O caso foi registrado na Depac Cepol pela família da vítima.
Segundo o boletim de ocorrência, o problema começou no dia 2 de abril, quando o menino sofreu uma queda enquanto estava sentado. Ele foi levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Tiradentes, onde passou por consulta, realizou exame de raio-X e foi liberado com medicação para dor, sem diagnóstico de lesão na perna esquerda.
No dia seguinte (3), ainda com dores, ele foi atendido novamente, desta vez na UPA Universitário, sendo liberado com a mesma prescrição.
Já no dia 4, os pais voltaram a procurar atendimento na UPA Universitário, com a criança apresentando fortes dores no peito. Conforme relato da família, ele recebeu uma injeção, cujo medicamento não foi informado, e foi liberado após a médica atribuir o quadro à ansiedade.
No domingo (5), diante da persistência dos sintomas, João retornou à unidade, onde ficou em observação e realizou novo exame de imagem. Desta vez, foi constatada uma lesão na perna esquerda, possivelmente uma rachadura na região do joelho. Ele foi orientado a procurar a Santa Casa no dia seguinte para imobilização.
Na segunda-feira (6), a família seguiu a recomendação, e a criança teve a perna imobilizada com uma tala na Santa Casa, sendo liberada em seguida.
Horas depois, no entanto, o quadro se agravou. Ainda na segunda-feira, João Guilherme passou mal, desmaiou e, segundo a família, ficou com coloração arroxeada, principalmente nas pernas. Ele foi levado às pressas, por meios próprios, à UPA Universitário, onde chegou desacordado.
De acordo com o registro, no local não havia médico disponível no momento da chegada. Profissionais iniciaram os primeiros socorros, com uso de oxigênio e procedimentos de reanimação, incluindo intubação. Em seguida, o paciente foi encaminhado à Santa Casa.
Na unidade hospitalar, ele chegou a ser reanimado novamente, mas não resistiu e morreu pouco tempo depois.
Conforme documentação, a criança deu entrada na Santa Casa às 0h18 do dia 7 de abril, e o óbito foi constatado às 1h05 pelo médico responsável.
A família questiona a condução dos atendimentos e afirma que não houve investigação adequada das dores relatadas ao longo dos dias, especialmente as dores no peito.
O caso foi registrado como ocorrência na Polícia Civil e deverá ser apurado para verificar se houve falha ou negligência no atendimento médico prestado.
O que diz a Santa Casa
A Santa Casa de Campo Grande lamenta o ocorrido e se solidariza com a dor da família. Entretanto, informamos que, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às normas de sigilo médico, não é possível divulgar informações específicas sobre pacientes, prontuários ou circunstâncias clínicas relacionadas ao caso.









