11/06/2026 11:00
Sem leito, adolescente dorme em cadeiras enquanto enfrenta maratona de espera na UPA Universitário
Sentindo fortes dores, ela recebeu diversas orientações diferentes a cada troca de plantão sem que seu caso fosse resolvido
Com dores intensas e sem posição confortável para ficar, uma adolescente de 16 anos está aguardando há dias uma vaga para ser transferida para um hospital após ser diagnosticada com pedra na vesícula e, segundo a família, passou a noite em cadeiras no saguão da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário, em Campo Grande, sem acesso a um leito para repouso.
Conforme relato feito para o TopMídiaNews, a irmã detalhou que as dores começaram na quarta-feira da semana passada, quando a jovem procurou atendimento médico pela primeira vez.
Na ocasião, a família afirma que a adolescente recebeu medicação e foi orientada de que o problema poderia estar relacionado a uma infecção ou algo que tivesse ingerido. Mesmo medicada, as dores continuaram ao longo dos dias.
Já na terça-feira (9), ela voltou à unidade de saúde e, após nova avaliação, recebeu a suspeita de cálculo na vesícula ou nos rins. Diante da recomendação médica e temendo a demora para realização de exames pela rede pública, a família decidiu pagar uma ultrassonografia particular.
O exame foi realizado na manhã de quarta-feira (10) e confirmou a presença de uma pedra na vesícula. Com o resultado em mãos, a adolescente retornou à UPA Universitário.
Segundo o relato, houve divergência entre os profissionais que atenderam a paciente. Enquanto um médico teria informado que o caso não exigia cirurgia, outro avaliou que havia necessidade de procedimento cirúrgico e solicitou uma vaga hospitalar.
"Um médico fala que precisa de cirurgia, outro fala que não precisa. A gente não sabe mais em quem acreditar", desabafou a irmã. A família afirma que, desde então, a adolescente aguarda transferência pelo sistema de regulação, mas sem previsão de vaga. Além disso, não teria conseguido um leito dentro da própria unidade.
"Ela ficou o dia inteiro sentada nas cadeiras do saguão. Disseram que não tinha leito para ela ficar deitada. Ela está com muita dor e sentada piora ainda mais", relatou.
Ainda conforme a família, durante a madrugada um médico orientou que a adolescente retornasse para casa para descansar, já que não havia local adequado para acomodá-la na unidade. No entanto, a jovem não conseguiu permanecer em casa devido à intensidade das dores e voltou à UPA na manhã desta quinta-feira.
Outro ponto que preocupa os familiares é a falta de informações claras sobre o tratamento. Segundo eles, um novo médico afirmou que a pedra poderia ser eliminada apenas com medicação, sem necessidade de cirurgia.
"A gente está completamente perdido. Cada médico fala uma coisa diferente e a vaga não sai. Ela continua sofrendo, sem leito e sem uma definição", afirmou a irmã.
A família também relata preocupação com o uso contínuo de medicamentos para controle da dor e com a possibilidade de agravamento do quadro, já que exames teriam apontado alterações relacionadas aos rins.
A reportagem procurou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), mas, até a publicação desta matéria, não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
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