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Presidente da Câmara diz que operação da PF agrava crise política em Campo Grande: 'vai pegar fogo'
Papy detalhou ainda que vereadores da oposição já o procuraram, classificando o caso como grave
O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Papy (PSDB), afirmou nesta sexta-feira (19) que a operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 torna a situação política da Capital "mais difícil" e disse acreditar que a sessão legislativa da próxima terça-feira (23) deverá ser marcada por cobranças à prefeita Adriane Lopes (PP).
Em entrevista ao TopMídiaNews, Papy afirmou que recebeu a notícia com surpresa, já que acreditava que o caso havia sido encerrado após a absolvição da chapa Adriane Lopes-Camilla Nascimento pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).
"Eu acompanhei pela imprensa igual todo mundo. Achei que isso estava definido quando o TRE absolveu dessas denúncias.", disse.
Segundo o presidente da Câmara, vereadores da oposição já o procuraram classificando o caso como grave. Para ele, a investigação conduzida pela Polícia Federal possui um peso diferente da ação eleitoral que tramitou no TRE.
"A gente teve uma decisão do TRE em uma denúncia feita pelo partido que perdeu a eleição. Quando você tem um desdobramento de investigação da Polícia Federal, já não existe mais essa questão do adversário político. É uma investigação muito mais profunda, muito mais séria", afirmou.
Apesar de defender o respeito ao resultado das urnas, Papy ressaltou que eventuais crimes eleitorais precisam ser apurados. "Eu prezo pela cidade. Acho que o equilíbrio institucional e a manutenção do que a urna estabeleceu democraticamente é o melhor caminho. Mas ninguém pode ganhar com crime eleitoral. A Justiça tem o papel dela de garantir eleições limpas."
Questionado sobre os impactos da operação na relação entre o Legislativo e o Executivo, Papy avaliou que o episódio aumenta a instabilidade vivida pelo município. "A cidade já vive uma situação difícil, e agora recebe uma visita da Polícia Federal. Acho que isso piora um pouco o cenário."
Ao final da entrevista, o parlamentar projetou um ambiente de forte debate no Legislativo.
"Eu acho que terça-feira a sessão vai pegar fogo."
Operação da Polícia Federal
A operação da Polícia Federal aponta a prefeita Adriane Lopes como líder do núcleo político de um suposto esquema de compra de votos durante as eleições municipais de 2024, em Campo Grande.
Segundo a investigação, assessores ligados à prefeita e à vice-prefeita Camilla Nascimento teriam realizado transferências via Pix para aquisição de votos. A servidora Simone Bastos Vieira, alvo de mandado de busca e apreensão, é apontada como responsável por receber os valores, fracioná-los e distribuí-los em pequenas quantias para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras.
A PF afirma ter identificado saques em espécie, transferências fracionadas via Pix e utilização de contas de terceiros em datas próximas aos dois turnos das eleições, indícios que, segundo os investigadores, podem estar relacionados à compra de votos.
Apesar de aparecer como líder de um dos núcleos investigados, Adriane Lopes não foi incluída entre os alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta sexta-feira.
O Ministério Público Eleitoral também recorre da decisão que absolveu a chapa Adriane-Camilla na Justiça Eleitoral, sustentando que seria improvável que as duas desconhecessem o suposto esquema, diante do envolvimento de pessoas próximas que ocupavam cargos na administração municipal.
A reportagem do TopMídiaNews tentou contato com a prefeita Adriane Lopes ao longo desta sexta-feira, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.