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Veterinária presa por atear fogo no marido ganha liberdade provisória (vídeo)
Justiça substituiu prisão preventiva por uso de tornozeleira eletrônica após vítima gravar vídeo afirmando que a mulher agiu sem intenção de matar
A 1ª Vara do Tribunal do Júri decretou a liberdade provisória da médica veterinária Lidiane Cecília Pereira nesta sexta-feira (3). Presa por atear fogo no próprio marido, ela terá que usar tornozeleira eletrônica.
O crime aconteceu no dia 22 de junho, durante uma discussão conjugal. Na ocasião, a mulher teria despejado álcool nos pertences e no corpo do companheiro. Ao tentar se esquivar indo para a garagem, o homem teve as roupas incendiadas após a autora acionar um isqueiro.
A revogação da prisão preventiva ocorreu depois que a defesa apresentou um vídeo gravado de forma espontânea pela própria vítima, que segue hospitalizada. Na filmagem, ele alega que a companheira não desejava matá-lo e que a situação teria ocorrido de forma acidental.
Nas imagens anexadas ao processo judicial, o homem explicou que a mulher atirou álcool em sua mochila para tentar impedi-lo de viajar a trabalho para Brasília, motivada pela suspeita de um envolvimento amoroso com colegas. A substância acabou respingando em sua roupa e, assim que o fogo se iniciou, a veterinária tentou socorrê-lo rasgando a camiseta em chamas.
A filha mais velha do casal, de 22 anos, confirmou parte dessa dinâmica em seu depoimento. A jovem relatou ter escutado gritos e, ao sair para averiguar, deparou-se com o pai rolando na grama do quintal. Ela utilizou uma mangueira para apagar o restante do fogo, enquanto a mãe pegou o carro para levar o companheiro imediatamente ao hospital.
Lidiane havia sido detida em flagrante no momento em que retornou à unidade de saúde para checar o estado do marido. Relatos apontam que a autora demonstrou arrependimento e comportamento depressivo após o fato. A prisão foi convertida em preventiva logo depois da audiência de custódia. No entanto, ao reavaliar o pedido da defesa diante dos novos fatos, o juiz Aluizio Pereira dos Santos considerou que o pronto socorro prestado pela agressora evidencia uma tentativa de barrar o resultado letal, atitude que pode vir a configurar a desistência voluntária na esfera penal.
O magistrado também avaliou de forma favorável à acusada o fato de ela não registrar antecedentes criminais, possuir profissão definida, ter endereço fixo e ser mãe de uma criança menor de 12 anos.
Com a soltura, o Judiciário estabeleceu o cumprimento de medidas alternativas à prisão. Entre as exigências estipuladas, estão o monitoramento eletrônico pelo prazo de 90 dias e a obrigatoriedade de comparecimento mensal ao fórum para justificar atividades laborais e comprovar endereço. O caso segue sendo apurado pelas autoridades.
Relembre o depoimento do marido: