A defesa da médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, afirmou nesta quinta-feira (2) que um vídeo gravado pela própria vítima pode alterar o rumo das investigações sobre o caso em que ela é acusada de jogar álcool e atear fogo no marido, em Campo Grande.
A manifestação foi divulgada após o Ministério Público oferecer denúncia de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo emprego de fogo contra a investigada. Em nota, os advogados Kamila da Silva Boeno, Jonatas Giovane de Paula dos Reis e Herika Cristina dos Santos Ratto, disseram que receberam a denúncia "com absoluto respeito às instituições", mas sustentam que novos elementos de prova surgiram depois das decisões que mantiveram a prisão preventiva de Lidiane.
Segundo a defesa, o principal fato novo é um vídeo gravado espontaneamente pela vítima, no qual o homem apresenta sua versão sobre o episódio. De acordo com os advogados, o material não existia quando foi realizada a audiência de custódia nem durante a análise do pedido de substituição da prisão preventiva, porque o marido permanecia internado e impossibilitado de prestar declarações.
Ainda conforme a nota, após apresentar melhora no quadro de saúde e tomar conhecimento da situação processual da esposa, a vítima decidiu gravar o vídeo por iniciativa própria. O material já teria sido encaminhado à Polícia Civil, acompanhado de um pedido para que seja anexado ao inquérito e de solicitação para que o homem seja ouvido formalmente.
A defesa também afirma que, até a conclusão do inquérito e o indiciamento de Lidiane, a vítima ainda não havia prestado depoimento oficial à autoridade policial. Para os advogados, a oitiva é importante para esclarecer a dinâmica dos fatos e ampliar o conjunto de provas que será analisado pela Justiça.
Na nota, a defesa diz ainda que não pretende antecipar discussões sobre o mérito da ação penal, mas defende que todas as provas disponíveis sejam produzidas sob o contraditório e a ampla defesa. Os advogados afirmam confiar que os novos elementos serão analisados pelo Judiciário durante o andamento do processo.
Relembre o caso
Lidiane Cecília Pereira foi presa no dia 22 de junho, suspeita de tentar matar o marido durante uma discussão na casa da família, no bairro Santa Luzia, em Campo Grande.
Segundo a investigação, a mulher jogou álcool líquido sobre o marido e, em seguida, as chamas atingiram a vítima. O homem sofreu queimaduras em cerca de 30% do corpo, principalmente no tronco e nos braços, e permanece internado.
Em depoimento à Polícia Civil, Lidiane confessou ter jogado álcool na mochila do marido para impedir que ele viajasse para Brasília, mas afirmou que não tinha intenção de atear fogo nele. Segundo a versão apresentada por ela, uma faísca produzida por um isqueiro que segurava provocou o incêndio de forma acidental.
A investigada também relatou que o casal discutia por causa de uma suposta traição e disse estar arrependida. Ela afirmou ainda que faz tratamento para depressão e transtorno de ansiedade generalizada, mas que havia interrompido o uso da medicação cerca de duas semanas antes do episódio.
O caso é investigado pela Polícia Civil e a ação penal seguirá com a análise das provas e a manifestação das partes perante a Justiça.
Assista ao vídeo gravado pela vítima:








