Campo Grande

há 3 horas

Amigos relembram alegria e amor pelo Pantanal de pesquisadora alemã: 'perda irreparável'

Fazenda onde Lydia atuou como pesquisadora publicou homenagem nas redes sociais

04/07/2026 às 17:50 | Atualizado 04/07/2026 às 17:43 Carol Rampi
Reprodução/Redes Sociais

A morte da pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff é vista como uma 'perda irreparável' e muita tristeza para amigos e colegas de profissão. Nas redes sociais, a Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana, postou uma mensagem com uma foto de Lydia, que mantinha base no local para a realização de suas operações de pesquisa. A pesquisadora morreu na manhã desta sexta-feira (3), em Campo Grande, após a queda de um avião de pequeno porte. 

'Lydia, o Pantanal te acolhe. Estamos juntos para sempre!', postou a Fazenda Barranco Alto, com uma foto da pesquisadora no meio de um tapete de flores amarelas, cercada por aquilo que mais amava e que dedicou a vida: a natureza. 

Nos comentários, a partida de Lydia é cercada de muito amor por aqueles que a conheceram. "Lydia querida, você vai ser sempre para mim um momento muito feliz no Pantanal! Obrigada por toda a alegria e amor que você nos proporcionou e que ficam conosco para sempre!", postou Gaia Dyczko. 

"Meus sinceros sentimentos a toda a família Barranco Alto. Sei o quanto todos eram apaixonados por ela. Fiquem bem!", desejou a pesquisadora Julice Aristides. 

A Icterus Ecoturismo também postou homenagem nos comentários. "Que a paixão dela pelo Pantanal se perpetue em cada tamanduá que ela tanto amava." O biólogo e fotógrafo Guilherme Gallo Ortiz ressaltou o trabalho feito por Lydia. "Teve a coragem de seguir seus sonhos e dedicou a vida a preservação de outra espécie. Interrompida por uma fatalidade, mas que deixa sua marca no planeta e na memória daqueles que tiveram o prazer de conhecê-la".

A Fazenda Baía das Pedras também lamentou a perda. “Nossos mais profundos sentimentos pela irreparável perda. Que Deus conforte o coração de todos que conviveram com ela por todos esses anos. À família e amigos, nosso carinhoso abraço”, publicou.

Projeto Ariranhas

O Projeto Ariranhas, que também realiza projetos na Fazenda Barranco Alto, relembrou da parceria com Lydia em uma homenagem nas redes. "Nossa história se cruzou no Pantanal, na Barranco Alto, quando nossa presidente, Caroline Leuchtenberger, iniciou o monitoramento das ariranhas em 2008. Pouco depois, em 2009, Lydia chegou para desenvolver seu doutorado com tamanduás", recorda. 

"Desde então, compartilhamos anos de trabalho, aprendizados e, acima de tudo, o amor pelo Pantanal e pela conservação da fauna silvestre. Lydia foi muito mais do que uma pesquisadora parceira: foi uma amiga querida, cuja dedicação e alegria marcaram todos que tiveram o privilégio de conviver com ela".

Na publicação, o projeto ainda ressaltou a amizade, parceria e o legado para a conservação deixado por Lydia. "Que sua luz e seu amor pela natureza permaneçam vivos em nossas memórias e em cada esforço para proteger o Pantanal. Nossos mais sinceros sentimentos à família, aos amigos e a todos que compartilharam sua caminhada".

Projeto pelo Pantanal

Conforme apurado pela reportagem, ela integrava uma equipe internacional de pesquisadores que desenvolvia o projeto "Monitoramento Audiovisual da Diversidade do Pantanal".

A pesquisa recebeu autorização, em 2021, para realizar a coleta de material biológico na região. O trabalho é coordenado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em cooperação com a Universidade de Bonn, na Alemanha.

Além de Lydia, o grupo era formado por outros dois pesquisadores alemães e cinco búlgaros, que atuavam no monitoramento da fauna e da biodiversidade do bioma.

Acidente ocorreu minutos após a decolagem

Lydia viajava no Embraer EMB-810, de matrícula PT-WYQ, utilizado em operações de táxi aéreo. A aeronave era pilotada por Henrique Martin, profissional experiente da aviação sul-mato-grossense.

O avião decolou por volta das 6h40 do Aeroporto Santa Maria e caiu poucos minutos depois em uma área de mata localizada a menos de um quilômetro da pista.

A principal hipótese investigada é que o piloto tentava retornar ao aeroporto ou realizar um procedimento de pouso de emergência quando ocorreu o acidente.

Aeronave estava regular

As circunstâncias da queda serão investigadas pelos órgãos responsáveis pela aviação.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Embraer EMB-810 possuía situação regular de aeronavegabilidade, autorização para operar como táxi aéreo e Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) válido até 4 de junho de 2027.