Saúde

há 58 minutos

Fornecedor cobra dívida de R$ 187 mil e suspende entrega de insumos à Saúde de Campo Grande

A Java Med Hospitalar não irá entregar os novos empenhos de soro, remédios e outros materiais

14/07/2026 às 09:11 | Atualizado 14/07/2026 às 08:58 Brenda Souza
Postos podem ficar ainda mais sem insumos - Arquivo/TopMídiaNews

Cansada de cobrar sem receber uma resposta efetiva, a empresa Java Med Hospitalar informou que suspendeu o recebimento de novos empenhos e o fornecimento de insumos ao Fundo Municipal de Saúde de Campo Grande devido ao atraso no pagamento de débitos que, segundo a empresa, somam R$ 187.312,75 e estão vencidos há até 286 dias.

Em comunicado encaminhado à imprensa, a empresa afirma que não aceitará novos pedidos enquanto a prefeitura não regularizar as pendências financeiras. Conforme o relatório apresentado, há notas fiscais em aberto desde 1º de setembro de 2025.

Apesar da suspensão, a Secretaria Municipal de Saúde teria encaminhado novos pedidos de fornecimento de soro fisiológico, que juntos somam R$ 225.084,66. Os empenhos incluem a entrega de 48.198 unidades do produto.

Segundo o proprietário da Java Med Hospitalar, Alex Tognasini, a paralisação não afeta apenas o soro fisiológico. Ele afirma que a empresa também deixou de fornecer outros materiais e medicamentos devido à inadimplência do município.

Entre os itens que aguardam entrega estão agulhas de punção, gabapentina, rivaroxabana, sertralina, fios de sutura, óleo de imersão para laboratório e ortoftaldeído, utilizado na desinfecção de equipamentos odontológicos. De acordo com o empresário, os pedidos pendentes ultrapassam R$ 400 mil.

Tognasini afirmou ainda ao TopMídiaNews que a empresa chegou a retomar o fornecimento após problemas anteriores, mas decidiu interromper novamente as entregas diante da continuidade dos atrasos e de declarações que considera ofensivas.

No comunicado enviado à prefeitura, a Java Med afirma ter recebido do setor de compras a afirmação de que seria preciso "ter culhão para vender" ao município. A empresa também rebate declarações atribuídas ao secretário municipal de Saúde de que não teria sustentabilidade financeira.

Para a fornecedora, há uma "inversão de responsabilidades", já que continua cumprindo obrigações com fornecedores, funcionários e tributos, enquanto aguarda o pagamento por mercadorias já entregues.

Outro ponto levantado pela empresa é que, mesmo diante da inadimplência, estaria recebendo notificações e ameaças de aplicação de multas pelo atraso na entrega dos produtos.

"Ainda ameaçam com notificação e multa por atraso de fornecimento", afirmou o empresário.

No ofício encaminhado ao município, a Java Med sustenta que a continuidade do fornecimento tornou-se financeiramente inviável sem a quitação dos débitos e solicita o pagamento integral das pendências antes de voltar a analisar novos empenhos.

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para falar sobre o assunto, mas, até a publicação desta matéria, não teve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações futuras.