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Economia

há 2 semanas

Prefeitura reconhece calote de mais de R$ 331 milhões em fornecedores e terceirizadas

Relatório fiscal aponta serviços já executados e não pagos

A Prefeitura de Campo Grande admitiu oficialmente ter acumulado uma dívida de mais de R$ 331 milhões com fornecedores e prestadores de serviços que já executaram contratos para o município, mas ainda aguardam pagamento. Os dados constam no Relatório Resumido da Execução Orçamentária do 1º quadrimestre de 2026, publicado no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) desta terça-feira (26).

Conforme o relatório, o valor está descrito no tópico “Restos a Pagar Processados”, modalidade usada quando a despesa já foi reconhecida pela administração pública, ou seja, o serviço foi prestado, conferido e liquidado, mas o pagamento não foi efetuado.

Segundo o documento, a prefeitura inscreveu R$ 331.080.983,08 nessa categoria. Até abril deste ano, parte da dívida havia sido quitada, porém ainda restavam R$ 62,9 milhões pendentes de pagamento.

Embora o documento não detalhe os nomes das empresas credoras, os setores afetados tendem a envolver contratos de terceirização e manutenção da máquina pública, especialmente nas áreas de limpeza pública; merenda escolar; segurança; saúde; manutenção urbana; obras e infraestrutura.

Apesar da dimensão da dívida, o documento também não informa quantos fornecedores estão sem receber, quais empresas concentram os maiores débitos nem quais contratos estão em atraso.

Diante disso, a reportagem irá protocolar pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) para obter a lista completa de fornecedores com pagamentos pendentes; os valores devidos individualmente; quais empresas possuem os maiores créditos a receber; quais secretarias concentram os atrasos; e quais serviços podem ser afetados pela inadimplência da prefeitura.

O atraso do pagamento pode ser prejudicial para Campo Grande, uma vez que os fornecedores podem paralisar a prestação de serviços e o fornecimento de insumos necessários para manutenção de serviços como saúde.

A prefeitura já havia admitido em outras oportunidades o atraso em pagamentos durante a prestação de contas da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) do último quadrimestre de 2025, realizada em fevereiro de 2026.

Durante a sessão, o secretário de Saúde, Marcelo Vilela, e vereadores debateram a falta de medicamentos, o atraso nos repasses e a troca de comando na pasta durante a gestão da prefeita Adriane Lopes.

O secretário Marcelo Vilela argumentou que o município aplicou 30,62% de sua arrecadação na saúde em 2025. Vilela atribuiu as dificuldades do sistema ao repasse de verbas federais, referindo-se à situação como "subfinanciamento".

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