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Laranja do esquema dos livros sacou mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo na boca do caixa

Rhayane Souza Fanaia é apontada como dona da Editora Avante, da família Jafar

17/07/2026 às 13:00 | Atualizado 17/07/2026 às 09:47 Brenda Souza
Reprodução/Redes Sociais

A empresária Rhayane Souza Fanaia, apontada pelo Ministério Público como testa de ferro da Editora Avante, retirou R$ 1.066.000 em dinheiro vivo das contas da empresa ao longo de 2022. Ela foi presa junto com a família Jafar durante a Operação Gutenberg, deflagrada em Campo Grande no dia 7 de julho.

A investigação deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) aponta que foram identificados 23 registros de "saque avulso" nas contas bancárias da editora, realizados em agências do Banco Sicredi. Os investigadores afirmam que Rhayane foi responsável por praticamente todas as retiradas, identificadas por meio das fitas de caixa fornecidas pela instituição financeira.

As operações ocorreram entre 15 de fevereiro e 28 de dezembro de 2022, período em que a Editora Avante recebeu pagamentos milionários de contratos firmados com prefeituras do interior de Mato Grosso do Sul.

De acordo com o relatório, a maioria dos saques variava entre R$ 45 mil e R$ 49 mil, padrão que chamou a atenção dos investigadores por manter as retiradas sempre em valores próximos ao limite considerado sensível pelos mecanismos de monitoramento bancário.

O Ministério Público sustenta que a estratégia tinha como objetivo dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

"Foram identificados vinte e três 'saques avulsos', retirada de valores em espécie na agência bancária, que somados, totalizaram o valor de R$ 1.066.000,00", registra o relatório do Gaeco.

Além da movimentação financeira, o Gaeco afirma ter encontrado conversas entre Rhayane, a sogra Rossana Paroschi Jafar e Francisco Anízio dos Santos sobre os saques.

Segundo os investigadores, os diálogos tratavam da chegada dos recursos nas contas da editora, da programação das retiradas e até da logística para que Anízio buscasse Rhayane e a levasse até a agência bancária.

Para o Ministério Público, as mensagens reforçam que os saques eram previamente organizados e integravam a dinâmica financeira da organização criminosa.

Empresa movimentou R$ 5 milhões

As investigações apontam que a Editora Avante foi criada em 2021, no mesmo ano da morte de Micherd Jafar Júnior, proprietário da Gráfica e Editora Alvorada, empresa que chegou a ser investigada na Operação Lama Asfáltica por supostas fraudes em contratos de livros.

O Gaeco destaca que Rhayane mantém relacionamento com Giovanni Paroschi Jafar, filho de Micherd, e afirma que o perfil financeiro da empresária não era compatível com o volume de negócios da editora. Conforme o relatório, ela costumava divulgar nas redes sociais que era proprietária de um brechó.

Outro ponto levantado é que a Editora Avante possuía capital social declarado de apenas R$ 40 mil, mas faturou aproximadamente R$ 5 milhões em contratos com municípios sul-mato-grossenses.

Entre as vendas citadas na investigação estão: Miranda: R$ 1.444.355,00; Ivinhema: contrato inicial de R$ 586.862,50, posteriormente ampliado para R$ 874.130,00 por meio de aditivo; Ladário: R$ 459.286,00; além de contratos em Bonito que não tiveram os valores detalhados.

Todos os contratos destacados pelo Gaeco foram firmados por dispensa de licitação.

Distribuição para dezenas de pessoas

Após receber os recursos das prefeituras, a Editora Avante também realizou transferências para mais de 40 pessoas físicas e jurídicas, segundo o Ministério Público.

Entre os destinatários aparecem empresários, servidores públicos, uma construtora, uma distribuidora de bebidas, loja de veículos e o advogado Gabriel Taquino de Paula, preso na Operação Gutenberg e apontado como integrante de conselho que emitia pareceres jurídicos para licitações em 14 prefeituras.

Também são citados Paulo Henrique de Melo, Douglas Henrique de Mello, Francisco Anízio dos Santos e Jéssyca Burgatt, filha de Ed Carlo Burgatt, investigado por suposta participação no esquema.

Para o Gaeco, tanto os saques em espécie quanto a pulverização dos recursos por meio de transferências bancárias tinham como finalidade ocultar a origem do dinheiro obtido com os contratos públicos e abastecer o pagamento de vantagens indevidas dentro da organização criminosa.