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Política

há 13 minutos

Dona de brechó com contrato milionário foi pavio de operação do Gaeco contra fraudes

Editora Avante está em nome de nora de Rossana Jafar e movimentou milhões

Uma das pontas da investigação do Gaeco, que levou parte da família Jafar à prisão, mostra como o esquema criminoso por trás da venda de livros paradidáticos para prefeituras. Os investigadores citaram correlação entre a Operação Lama Asfáltica, em 2015, e os crimes cometidos atualmente. 

Uma das observações em destaque da Operação Gutenberg é que, no mesmo ano da morte de um proprietário da Gráfica e Editora Alvorada, Micherd Jafar Júnior, em 2021, a Editora Avante foi constituída. Tal empresa virou ré na Lama Asfáltica por fraude na compra de livros. 

O detalhe, diz a apuração, é que a dona da Avante, Rhayane Souza Fanaia, mantém relação com Giovanni Paroschi Jafar, filho de Micherd. O estilo de vida de Rhayane não condizia com o de dona de gráfica, inclusive pelo fato de ela expor que era dona de um brechó. 

Ao apurar os dados da editora da suspeita, foi visto que o capital social da empresa era de R$ 40 mil. Isso conflita com a venda milionária de livros para prefeituras de MS, como Ivinhema, Miranda e Bonito, todas com dispensa de licitação. 

''Ela é de fato dona da editora ou uma laranja?'', diz trecho de relatório inicial da investigação. O Gaeco obteve registro de um termo de dispensa de licitação, que mostra a venda de livros para a prefeitura de Miranda, ao valor de R$ 1.444.355,00, em julho de 2022. 

No mesmo ano, a Avante vendeu livros para Ivinhema, ao valor de R$ 586.862,50. O mais absurdo é que, menos de 30 dias da contratação, o contrato sofreu aditivo de R$ 287.627,50, que totalizou R$ 874.130,00. Em Ladário, mostra o Gaeco, a venda da Avante faturou R$ 459.286,00. 

A editora Avante, sua proprietária tiveram os sigilos bancários e fiscais quebrados. Foi identificado que a empresa faturou R$ 5 milhões em contratos com prefeituras. Rhayane, acrescenta o Gaeco, informava a sogra, Rossana Paroschi Jafar, também presa, sobre a chegada de todos os valores que vinham de prefeituras. 

Ainda segundo apontado, Rossana é um interlocutor identificado como ‘’Heyder Bartz’’. O detalhe é que Rhayane fez grande parte dos saques em espécie nas agências bancárias. Ela também era orientada por Rossana e outros interlocutores a enviar os valores em PIX para demais investigados e empresas. 

Causou estranheza ao MPMS que a Editora Avante tenha distribuído valores a mais de quarenta pessoas ou empresas, entre elas a Jéssyca Burgatt, sócia de três empresas e filha de Ed Carlo Burgatt (pai e filha receberam cerca de R$ 50 mil em uma das ocasiões), que coordenava a regulação de pacientes na Saúde estadual. Os ramos eram os mais variados, sendo loja de veículos, servidores públicos, construtora, distribuidora de bebidas, entre outros. 

As transferências também foram feitas para outro preso na operação, o advogado Gabriel Taquino de Paula. Ele era membro de conselho que dava pareceres jurídicos para licitações em 14 prefeituras. 
Paulo Henrique de Melo e Douglas Henrique de Mello, pai e filho, igualmente foram agraciados com os valores da Avante. Outro pivô da investigação é Franscisco Anizio dos Santos, que detinha uma oficina de carros. 

Foi mais uma vez destacado que os saques em espécie era para dificultar a origem criminosa do dinheiro e que abasteceria uma rede de propina na orcrim. 


 

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