há 54 minutos
Empresário atuava como 'escolta' de laranja em idas ao banco para sustentar fraude na Saúde de MS
Francisco Anízio dos Santos buscava Rhayane Souza Fanaia em dias de saque, sempre coordenados por Rossana Jafar
As investigações da Operação Gutenberg apontam que Francisco Anízio dos Santos, empresário do ramo de locação de veículos e um dos alvos da ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), desempenhava um papel estratégico na movimentação financeira da organização criminosa.
Segundo o Ministério Público, ele era responsável por buscar Rhayane Souza Fanaia, apontada como testa de ferro da Editora Avante, e levá-la às agências bancárias onde eram realizados os saques em dinheiro vivo. Além disso, organizava a divisão financeira entre o grupo.
Mensagens obtidas após a quebra do sigilo dos investigados mostram que Anízio acompanhava a rotina dos saques e combinava previamente os deslocamentos com Rhayane e outros integrantes do grupo.
Um dos episódios citados pelo Gaeco ocorreu em 15 de fevereiro de 2022, data em que foi realizado um saque de R$ 40 mil das contas da Editora Avante. Segundo o relatório, conversas entre Rhayane e Rossana Paroschi Jafar mostram que Anízio passaria para buscá-la às 11h para levá-la até a agência bancária. Antes do encontro, Rhayane enviou sua localização para Rossana, que confirmou que o empresário faria o transporte.
Outro episódio ocorreu em 18 de agosto de 2022, quando a Editora Avante realizou um saque de R$ 47 mil. Naquela manhã, Rhayane enviou sua localização em tempo real pelo WhatsApp para Anízio.
Segundo o Gaeco, a conversa evidencia que Anízio aguardava a investigada para levá-la ao banco no mesmo dia em que ocorreu a retirada do dinheiro em espécie.
As mensagens também mostram que Anízio orientava quando Rhayane deveria comparecer ao banco. Em uma conversa registrada em 26 de agosto de 2022, ela informou a Rossana: "Anízio pediu pra ir ao banco hoje... acho que pra sacar."
Para o Ministério Público, o conteúdo demonstra que o empresário não atuava apenas como motorista, mas tinha conhecimento e participação na rotina de movimentação financeira da Editora Avante.
Movimentação
A investigação já havia identificado que Rhayane realizou 23 saques em espécie, totalizando R$ 1.066.000 entre fevereiro e dezembro de 2022, quase sempre em valores entre R$ 45 mil e R$ 49 mil.
Também foram encontradas mensagens nas quais Rhayane reclama de não ter acesso ao dinheiro da própria empresa, afirmando que estava "sem nenhum real" e que não havia recebido nem o próprio salário, apesar de a Editora Avante movimentar cerca de R$ 5,2 milhões em contratos públicos.