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Política

há 24 minutos

Mesmo movimentando milhões no banco, laranja de editora implorava por salário: 'tô sem nenhum real'

Para o Gaeco, as mensagens reforçam a suspeita de que Rhayane não administrava efetivamente a empresa, apesar de constar como sua proprietária formal

Apesar de aparecer oficialmente como proprietária da Editora Avante, empresa que faturou cerca de R$ 5,2 milhões em contratos com prefeituras de Mato Grosso do Sul, Rhayane Souza Fanaia não demonstrava ter controle sobre os recursos da empresa. É o que aponta relatório da Operação Gutenberg, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que traz mensagens interceptadas nas quais ela afirma estar sem dinheiro e cobra o pagamento do próprio "salário".

Segundo o Gaeco, em 15 de dezembro de 2022, a Editora Avante recebeu R$ 818.958,50 da Prefeitura de Bonito. No mesmo dia, Rhayane enviou uma mensagem para uma interlocutora identificada como "Mãe", informando que o pagamento havia sido realizado. "Pagaram. Agora só distribuir", escreveu.

Para o Ministério Público, a frase indica que, logo após o recebimento do dinheiro público, os valores já seriam destinados aos integrantes do grupo investigado. "Não recebi nem meu salário."

No dia seguinte, 16 de dezembro, Rhayane aparece em outra conversa cobrando o repasse de R$ 1.800, que seria destinado a Giovanni Paroschi Jafar, apontado como um dos integrantes do núcleo da organização.

Durante a conversa, ela reclama da falta de dinheiro, apesar de a empresa ter acabado de receber mais de R$ 800 mil. "Tô no seu pé porque estou sem nem um real kkkk [SIC]". Em seguida, completa: "Não recebi nem meu salário."

Para o Gaeco, as mensagens reforçam a suspeita de que Rhayane não administrava efetivamente a empresa, apesar de constar como sua proprietária formal.

Recebia apenas 1% do valor

Outra conversa analisada pelos investigadores ocorreu com um contato salvo como "Editora Avante". Segundo o relatório, o diálogo mostra como seria feita a distribuição do dinheiro recebido da Prefeitura de Bonito. Nele, Rhayane é informada de que receberia R$ 8.189,59, exatamente 1% do pagamento de R$ 818.958,50 efetuado pelo município.

A empresária teria ainda uma lista de outros repasses que deveriam ser realizados com o mesmo dinheiro: Rossana: R$ 47.103,34; Superconteúdo: R$ 75.661,27; Galeria das Letras: R$ 99.120,00; Superconteúdo (Nubank): R$ 459,90.

O relatório também reúne conversas entre Rhayane e Rossana Paroschi Jafar, sogra da investigada e viúva de Micherd Jafar Júnior.

Segundo o Gaeco, os diálogos mostram orientações para repasses de dinheiro da Editora Avante às contas bancárias dos filhos de Rossana, Giovanni e Ovília, reforçando a suspeita de que a família controlava a movimentação financeira da empresa.

Empresa faturou milhões

As investigações apontam que a Editora Avante foi criada em 2021 e, apesar de possuir capital social declarado de apenas R$ 40 mil, movimentou cerca de R$ 5,2 milhões em contratos firmados, principalmente por dispensa de licitação, com prefeituras de Mato Grosso do Sul.

Entre os municípios citados estão Miranda, Ivinhema, Ladário e Bonito.

A Operação Gutenberg também identificou que Rhayane realizou 23 saques em espécie, que somaram R$ 1.066.000, além da distribuição de recursos para mais de 40 pessoas físicas e jurídicas.

Para o Ministério Público, o conjunto das provas indica que a empresária atuava como testa de ferro da Editora Avante, enquanto o controle financeiro e a divisão dos recursos seriam exercidos por integrantes da família Jafar e demais investigados da organização criminosa.

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