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'Mercador da Morte': defesa pede soltura de suspeito por fraude na Saúde pela 3ª vez
Ele só liberava leitos hospitalares se prefeitos fechassem contrato de compra de livros
Pedido de revogação de prisão preventiva em favor de Ed Carlo Burgatt foi transferido de vara judicial e ainda carece de análise, em Campo Grande. O suspeito ficou conhecido como o ''mercador da morte'', em razão de extorquir prefeitos usando leitos em hospitais como moeda de troca para propina.
Conforme obtido junto ao processo, o advogado de Ed Carlo pediu a revogação da preventiva, sendo que o apelo caiu na 3ª Vara Criminal de Campo Grande. O juiz acionado, no entanto, observou que o correto seria remeter o pedido para a 2ª Vara Criminal Residual, que já tinha recebido demandas anteriores a respeito de Ed Carlo, no âmbito da Operação Gutenberg.
O magistrado da 3ª Vara remeteu o pedido para a 2ª Vara Criminal. Sendo assim, o pedido sequer foi analisado e o será na vara adequada. Neste caso, a análise pode demorar mais que o habitual em razão da mudança.
Ed Carlo Burgatt é servidor da Saúde e ocupava o cargo de coordenador de Regulação Assistencial da Secretaria Estadual de Saúde. No esquema desvendado pelo Gaeco, ele só liberava leitos hospitalares para prefeituras, caso os chefes do executivo fechassem contrato sem licitação com a Editora Avante para aquisição de livros escolares. Por isso ele recebia propinas de diversos valores, alguns acima de R$ 100 mil.
Em diversos trechos de conversas interceptadas, Burgatt usava expressões como ''se não fechar, não libero leito'' e ''deixa o povo morrer''.