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Ex-vereador investigado na 'Máfia da Editora' é demitido de cargo no Governo de MS

Ele foi denunciado pelo MPE e teria movimentado contas de demais envolvidos

30/07/2026 às 17:26 | Atualizado 30/07/2026 às 17:16 Thiago de Souza
Servidor comissionado foi exonerado - Reprodução Gaeco e TSE

O ex-vereador de Laguna Caarapã, Inácio da Silva Espíndola, foi exonerado de cargo que ocupava na Casa Civil de Mato Grosso do Sul. A publicação foi feita nesta quinta-feira (30). Ele foi denunciado pelo MPE-MS por esquema fraudulento de compras públicas de livros escolares em MS. 

Conforme o Diário Oficial de MS, Inácio foi exonerado do cargo de Direção Gerencial Superior e Assessoramento, símbolo CCA-06, na função de assessor especial V. Neste caso, o investigado só fica no governo caso seja concursado. 

A demissão é assinada pelo secretário de Governo, Rodrigo Perez. 

Gutenberg

Inácio está no bojo de 17 denunciados pelo MPE à Justiça. Ao denunciado é atribuída a movimentar valores em contas de terceiros investigados. O grupo, segundo a investigação, é suspeito de desviar mais de R$ 27 milhões da Saúde e da Educação de várias cidades sul-mato-grossenses. Houve diversos saques que totalizaram mais de R$ 9 milhões em dinheiro vivo. O Gaecoapontou na denúncia referente à Operação Gutenberg, que os saques faziam parte da estratégia para ocultar a origem e o destino dos valores obtidos com o suposto esquema de fraude em contratações de livros paradidáticos.

Conforme a denúncia, a principal empresa investigada, a Editora Avante, recebeu os valores entre agosto de 2022 e setembro de 2024. Após o ingresso dos recursos nas contas bancárias, o dinheiro era distribuído entre integrantes da organização, empresas ligadas ao grupo e retirado em espécie, segundo o Ministério Público.

As análises financeiras realizadas durante a investigação apontam que foram identificados saques que ultrapassam R$ 9 milhões, incluindo retiradas de aproximadamente R$ 2,18 milhões e R$ 3 milhões em dinheiro. Para o Gaeco, a elevada quantidade de operações em espécie é incompatível com a atividade empresarial declarada e demonstra uma tentativa de dificultar o rastreamento dos recursos.

A denúncia também afirma que parte dos saques era realizada de forma fracionada, em valores próximos de R$ 49 mil. Segundo o Ministério Público, a estratégia tinha o objetivo de evitar a comunicação obrigatória ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), mecanismo utilizado para identificar movimentações consideradas atípicas pelo sistema financeiro.

Ainda conforme o Gaeco, a quebra dos sigilos bancário e fiscal permitiu identificar que, após o recebimento dos pagamentos feitos pelas prefeituras, os valores eram pulverizados entre pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados antes de serem convertidos em dinheiro vivo.

Os promotores sustentam que a movimentação financeira integra o funcionamento da organização criminosa denunciada na Operação Gutenberg. Ao todo, 17 pessoas foram denunciadas por crimes como organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em contratações públicas.