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Política

há 16 horas

Munição no banheiro: a desculpa inusitada da matriarca da Operação Gutenberg

Principal alvo da Operação Gutenberg foi presa em flagrante por posse irregular de munição; defesa apresentada à polícia atribui projéteis ao marido, morto em 2021

Além do mandado de prisão preventiva cumprido na Operação Gutenberg, a dentista Rossana Paroschi Jafar, apontada pelo Ministério Público como uma das líderes do esquema que teria desviado cerca de R$ 27 milhões em contratos das áreas da Saúde e Educação, também foi autuada em flagrante por posse irregular de munição após policiais encontrarem cinco projéteis calibre .38 em seu apartamento, em Campo Grande.

De acordo com o Auto de Prisão em Flagrante, as munições foram localizadas durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão expedido pelo Núcleo de Garantias da Comarca de Campo Grande.

Os policiais do Batalhão de Choque, que prestavam apoio ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), encontraram cinco munições intactas calibre .38, da marca CBC, guardadas em uma gaveta do armário do banheiro do quarto de visitas do apartamento de Rossana, localizado em um edifício, na Rua Rui Barbosa, região central da Capital.

Durante interrogatório, Rossana afirmou que desconhecia a existência das munições. Segundo o depoimento registrado no auto de prisão, ela declarou que nunca manuseou uma arma de fogo e apresentou uma justificativa para a presença do material no imóvel.
De acordo com a investigada, ela acredita que as munições pertenciam ao marido, Micherd Jafar Júnior, falecido em 2021, e que teriam permanecido entre os pertences da família após a mudança para o apartamento.

Apesar da explicação, o delegado entendeu que a alegação configura matéria de defesa e não afastava os indícios de autoria, uma vez que as munições foram encontradas dentro da residência ocupada pela investigada.

Na decisão, a autoridade policial destaca que a jurisprudência considera que eventual desconhecimento sobre objetos ilícitos encontrados no imóvel deve ser analisado durante a investigação e não impede a lavratura do flagrante.

Rossana foi autuada pelo crime de posse irregular de munição de uso permitido, previsto no artigo 12 do Estatuto do Desarmamento. Considerando que o delito possui pena máxima inferior a quatro anos, o delegado arbitrou fiança de três salários mínimos, equivalente a R$ 4.863.

Entretanto, mesmo com o pagamento do valor, ela não foi colocada em liberdade.

Isso porque Rossana já era alvo de um mandado de prisão preventiva expedido no âmbito da Operação Gutenberg, que investiga suposto esquema de fraudes em contratos públicos para fornecimento de livros e materiais didáticos a prefeituras de Mato Grosso do Sul.

No auto de prisão, a autoridade policial ressalta que a fiança produz efeitos apenas em relação ao crime de posse irregular de munição, permanecendo válida a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Operação investiga organização criminosa

Rossana Paroschi Jafar está entre os principais investigados da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco no início de julho.
As investigações apontam que ela integraria o núcleo de comando da organização criminosa responsável por controlar contratos milionários firmados por meio da Editora Avante com diversas prefeituras do Estado.

Ao longo da investigação, o Ministério Público reuniu provas de saques em espécie superiores a R$ 1 milhão, distribuição de recursos para dezenas de pessoas e empresas, além de mensagens que indicariam o controle da movimentação financeira por integrantes da família Jafar.

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