Campo Grande

há 2 horas

Sequestradora de Ayla queria uma filha para manter casamento, diz delegada (vídeo)

Crimonosa conquistou a confiança da mãe adolescente e criou falsas histórias antes de levar recém-nascida

14/08/2026 às 09:58 | Atualizado 14/08/2026 às 10:34 Dayane Medina
Gabriel do Carmo/Rede social

A mulher suspeita de sequestrar a bebê Ayla Emanuelly, no dia 6 de agosto em Campo Grande, teria cometido o crime porque queria uma criança para criar como filha e, assim, tentar manter o casamento. A motivação foi revelada pela delegada Anne Karine Sanches, da Depca, nesta sexta-feira (14).

“A autora queria ter uma filha para sustentar o casamento dela. Ela tem outros filhos e não cuidou dos outros filhos porque passou boa parte da vida deles presa. Mas queria um filho para manter o casamento”, afirmou a delegada.

Segundo a investigação, a suspeita se aproximou da mãe de Ayla, uma adolescente de 17 anos, e da família antes do crime. Ela teria conquistado a confiança delas aos poucos, com a doação de roupas e outros itens para a recém-nascida, além de dizer que sabia fazer fotografias.

A mulher chegou a combinar um ensaio da bebê, mas, como o dia marcado estava frio, o encontro não aconteceu. No dia seguinte, uma nova oportunidade foi apresentada à adolescente, ela receberia dinheiro para cuidar da suposta filha de seis meses da suspeita. Conforme a polícia, porém, a criança apresentada como filha era, na realidade, neta da investigada.

Foi a partir desse contato que a adolescente e a irmã acabaram levadas até o imóvel utilizado no crime. A mãe havia relatado que foi atraída para uma residência na região do Bairro Universitário com a promessa de receber R$ 100 para cuidar de uma criança.

A investigação apontou ainda que os envolvidos utilizaram uma casa como ponto de apoio. Conforme relatado na coletiva, um suspeito ouvido pela polícia afirmou ter recebido R$ 1 mil para que a ação ocorresse no imóvel da família.

Depois de tomar a recém-nascida, os envolvidos teriam abandonado as duas adolescentes em uma região de mato. Para dificultar a identificação durante a fuga, Ayla teve as roupas trocadas por peças masculinas e foi colocada em um bebê-conforto também de menino. Em seguida, a criança foi levada para o Paraguai.

A suspeita estava vivendo em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e passou a ser monitorada durante a investigação. Com o avanço das diligências e o compartilhamento de informações entre as forças de segurança dos dois países, policiais paraguaios chegaram ao endereço onde ela estava com o marido e a recém-nascida.

Ayla foi encontrada na madrugada de domingo, 9 de agosto, em uma casa no bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan Caballero. No local, foram presos os brasileiros Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa. A localização ocorreu a partir da troca de informações de inteligência entre a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e autoridades paraguaias.

A partir da cooperação entre as polícias, o casal foi levado para os procedimentos necessários na fronteira, enquanto as autoridades formalizavam a ocorrência relacionada ao sequestro e providenciavam o retorno da bebê ao Brasil.

Após o resgate, Ayla foi encaminhada para atendimento médico em Pedro Juan Caballero. Posteriormente, retornou a Campo Grande e ficou sob acolhimento e acompanhamento dos órgãos de proteção até ser entregues para a família nesta quinta-feira.