há 42 minutos
Polícia conclui que morte de Fabíola Marcott em Campo Grande foi feminicídio e indicia cardiologista
João Jazbik Neto foi preso na sexta-feira, depois de uma determinação da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Capital
A Polícia Civil concluiu que a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi um feminicídio e não um suicídio, como havia sido apontado inicialmente. O marido dela, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso preventivamente na sexta-feira (14), em Campo Grande, por determinação da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.
Segundo a Polícia Civil, a conclusão sobre o feminicídio ocorreu após a realização de perícias técnicas que reuniram elementos considerados suficientes para comprovar que Fabíola foi vítima de violência doméstica e familiar.
A mulher foi encontrada morta dentro da residência onde morava com o marido, no bairro Chácara dos Poderes. Na época, a morte foi inicialmente registrada como suicídio.
Conforme o relato apresentado à polícia, Fabíola teria seguido a rotina normalmente naquela manhã e, em determinado momento, subido para o andar superior da casa. O marido teria estranhado a demora e ido até o quarto do casal. Como a porta estava trancada, voltou para o andar de baixo. Pouco depois, teria ouvido um disparo.
Ao retornar ao quarto, encontrou a mulher ferida. Ela não resistiu e morreu no local.
A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) estiveram na residência. Naquele primeiro momento, a hipótese de suicídio foi considerada.
Com o avanço da investigação, porém, novos elementos foram analisados. Segundo a Polícia Civil, laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal afastaram a hipótese de suicídio e apontaram para o feminicídio.
Além das perícias, investigadores ouviram testemunhas e analisaram dados extraídos de celulares apreendidos durante a apuração.
A Polícia Civil informou que todas as diligências foram concluídas e que o inquérito será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para análise e eventual oferecimento de denúncia.
Defesa contesta prisão
João Jazbik Neto já havia sido preso anteriormente por porte ilegal de arma de fogo após a morte da mulher. Na ocasião, diversas armas foram apreendidas na residência.
Depois, ele recebeu liberdade provisória mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com testemunhas.
O advogado José Belga Trad, que representa o cardiologista, classificou a prisão preventiva como "descabida" e afirmou que a defesa pretende recorrer da decisão.
Segundo o advogado, o inquérito ainda não teria sido concluído no momento da prisão e não havia denúncia apresentada contra o investigado.