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há 1 hora

Família diz que Fabíola Marcotti foi vítima de feminicídio: 'não pode mais apresentar sua versão'

A manifestação ocorreu após a nova prisão do companheiro da fisioterapeuta, o cardiologista João Jazbik

A família da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 42 anos, rompeu o silêncio neste sábado (15) após a nova prisão preventiva do cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, investigado pela morte da companheira, em Campo Grande. Em uma manifestação contundente, os familiares afirmam que Fabíola foi vítima de um cruel feminicídio e dizem que não vão permitir que a versão de suicídio seja tratada como verdade consolidada.

Para a família, a convicção de que Fabíola foi assassinada não é baseada em desejo de vingança ou em julgamento antecipado, mas nas circunstâncias reveladas ao longo da investigação e em elementos técnicos que, segundo os familiares, passaram a colocar em dúvida a versão inicialmente apresentada.

“A família não busca vingança. Busca Justiça. Não pede condenação pela opinião pública. Pede verdade”, diz a nota.

Fabíola foi encontrada morta dentro da residência onde vivia com João, no bairro Chácara dos Poderes. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio.

Segundo a família, porém, exames periciais apontaram ausência de sinais característicos de disparo a curta distância, elemento que, na avaliação dos familiares, levanta questionamentos sobre a dinâmica da morte.

A nota também cita uma suspeita de alteração da cena do crime, com retirada de armas e munições do local onde Fabíola foi encontrada. Para os familiares, a circunstância reforça a necessidade de uma investigação independente e rigorosa.

A manifestação também rebate críticas à nova prisão preventiva de João Jazbik Neto.

O cardiologista foi preso por determinação do juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. A decisão considera a necessidade da prisão para garantia da ordem pública e por conveniência da instrução criminal.

Para a família de Fabíola, a decisão não foi tomada de maneira precipitada ou sem fundamento.

Os familiares afirmam respeitar a presunção de inocência, o direito de defesa e o devido processo legal, mas dizem confiar nas instituições responsáveis pela investigação.

João já havia sido preso após a morte de Fabíola por porte ilegal de arma de fogo. Diversas armas foram apreendidas na residência. Posteriormente, ele conseguiu liberdade provisória mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com testemunhas.

A defesa, por sua vez, considera a nova prisão “descabida” e afirma que o inquérito ainda não foi concluído e que não houve denúncia contra o cardiologista. O advogado José Belga Trad informou que pretende recorrer.

Ainda na manifestação, a família afirma que Fabíola não pode mais contar o que aconteceu e, por isso, os familiares não aceitarão que o silêncio dela seja usado contra sua própria memória.

“Fabiola não pode mais apresentar sua versão. Não pode responder. Não pode se defender. Por isso, a família não permitirá que seu silêncio seja utilizado contra sua própria memória”, diz o texto.

A família também afirma que mortes de mulheres em circunstâncias suspeitas precisam ser investigadas até o fim, principalmente quando os vestígios podem ser a única forma de reconstruir os últimos momentos da vítima.

Os familiares descrevem a fisioterapeuta como filha, irmã, amiga e uma mulher profundamente amada, com sonhos e projetos que, segundo eles, não podem ser reduzidos a uma estatística ou a uma versão dos acontecimentos.

Ao final, a família reforça que não quer vingança ou condenação pela opinião pública. Quer, segundo a manifestação, que as provas esclareçam o que aconteceu.

“Fabiola já não pode falar. Agora, cabe às provas falarem por ela. Por Fabiola. Pela verdade. Pela Justiça. E por todas as mulheres”, conclui a nota assinada pela família e pelo advogado Márcio Leonardo Almeida das Virgens, neste sábado (15).

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