há 45 minutos
Laudo aponta que Fabíola Marcotti foi agredida antes de ser morta com tiro na cabeça em Campo Grande
Cena do crime ainda teria sido alterada propositalmente pelo cardiologista João Jazbik Neto, para 'bater com a versão' inicialmente apresentada; médico foi preso preventivamente por feminicídio
A fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi agredida com golpes na cabeça antes de ser morta a tiros, segundo laudo pericial incluído na investigação do caso. O crime ocorreu em Campo Grande e é investigado como feminicídio.
O médico cirurgião cardiovascular João Jazbik Neto, de 78 anos, está preso preventivamente. A medida foi determinada pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, após pedido da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª Deam).
Segundo a provável dinâmica apresentada pela perícia, Fabíola estava em pé quando recebeu o primeiro golpe com um objeto contundente ou cortocontundente na lateral direita da cabeça.
Com o impacto, ela teria caído de joelhos e, depois, ficado na posição em que o corpo foi encontrado. A vítima ainda teria recebido outros golpes na lateral esquerda da cabeça.
Os peritos encontraram manchas de sangue na parede em frente ao sofá e na porta da suíte, além de fragmentos ósseos espalhados pela sala.
Ainda de acordo com o laudo, a cabeça da fisioterapeuta teria sido levantada antes do disparo. O tiro entrou pelo lado esquerdo, saiu pela lateral direita e atingiu um quadro dentro do imóvel.
A perícia concluiu que os vestígios e a dinâmica provável indicam que Fabíola foi vítima de violência de gênero. O laudo foi usado pela 1ª Deam para fundamentar o pedido de prisão do médico.
Hipótese de suicídio descartada
O laudo também analisou a possibilidade de o disparo ter sido feito pela própria vítima. A hipótese foi descartada pelos peritos.
Segundo a perícia, os ferimentos não apresentavam sinais de um tiro efetuado com o cano encostado ou a curta distância, como chamuscamento, esfumaçamento e marcas provocadas pela pólvora.
Os peritos também identificaram lesões cortocontusas e um afundamento na lateral esquerda do rosto da vítima. As características não seriam compatíveis com um disparo autoinfligido.
A trajetória do projétil foi avaliada por meio de cálculos e escaneamento em 3D. O tiro seguiu de baixo para cima e da esquerda para a direita, com origem na região em frente ao sofá.
Conforme o laudo, a trajetória é incompatível com Fabíola sentada ou em pé. A perícia também descartou a possibilidade de a vítima estar sentada no sofá com a arma apontada para a própria cabeça.
Na posição em que ela foi encontrada, a arma estaria a cerca de 40 centímetros do chão, altura considerada incompatível com um disparo feito pela própria vítima.
Prisão preventiva
Na decisão, o juiz afirmou que João teria, em tese, atingido Fabíola com golpes na cabeça e efetuado um disparo de arma de fogo na mesma região.
O magistrado também destacou que o crime teria ocorrido na residência onde os dois moravam. Segundo ele, o imóvel deveria ser um ambiente de segurança e proteção para a vítima.
Para o juiz, a prisão preventiva é necessária diante da gravidade do caso e para garantir a ordem pública. Ele também considerou insuficiente a aplicação de outras medidas cautelares.
João Jazbik Neto permanece preso. A prisão preventiva não representa condenação, e o processo segue em andamento.