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R$ 127 mil em envelopes: assessor de Lídio não consta como beneficiário da campanha
A lista de despesas apresentada pela campanha reúne 89 registros e totaliza R$ 148.951,50 em gastos
O assessor parlamentar José Antônio Pires de Souza, conhecido como Zé Bocão, preso com R$ 127 mil em dinheiro vivo durante uma abordagem em Iguatemi (MS), não aparece, até o momento, na relação de pessoas e empresas que receberam pagamentos da campanha do deputado estadual Lídio Lopes (Avante), conforme a prestação de contas parcial disponibilizada à Justiça Eleitoral até o dia 1° de outubro.
A lista de despesas apresentada pela campanha reúne 89 registros e totaliza R$ 148.951,50 em gastos. Entre os pagamentos declarados estão empresas, profissionais e pessoas físicas que receberam valores para diferentes serviços durante a campanha.
Na relação analisada, os pagamentos a pessoas e empresas aparecem distribuídos da seguinte forma:
- 1 recebeu R$ 20.500;
- 1 recebeu R$ 20 mil;
- 1 recebeu R$ 12 mil;
- 1 recebeu R$ 8.400;
- 3 receberam R$ 6 mil cada;
- 2 receberam R$ 5 mil cada;
- 2 receberam R$ 3 mil cada;
- 2 receberam R$ 2 mil cada;
- 5 receberam R$ 1.500 cada;
- 18 receberam R$ 1 mil cada;
- 3 receberam R$ 800 cada;
- 1 recebeu R$ 750;
- 22 receberam R$ 600 cada;
- 8 receberam R$ 500 cada;
- 2 receberam R$ 400 cada.
Os valores incluem despesas relacionadas a publicidade, locação de equipamentos, veículos, serviços contábeis e atividades de campanha, entre outras categorias.
Apesar da extensa relação de pagamentos, o nome de José Antônio Pires de Souza não consta no material apresentado como prestador ou beneficiário de despesas da campanha até o momento.
A ausência chama atenção diante da circunstância em que o assessor foi preso. Ele foi abordado pela Polícia Militar enquanto dirigia um Volkswagen T-Cross na região de Iguatemi, com destino informado para Mundo Novo. Dentro do veículo, os policiais encontraram uma mochila com R$ 127 mil em espécie, além de materiais de campanha de Lídio Lopes. Segundo o registro policial, o dinheiro estava dividido em envelopes identificados com nomes de pessoas e municípios.
Entre os valores encontrados havia quantias de R$ 2.500, R$ 2.200, R$ 6 mil, R$ 7.500, R$ 10 mil, R$ 16.200, R$ 14 mil, R$ 18.500, R$ 15.100 e R$ 25 mil, conforme a identificação dos envelopes descrita no boletim de ocorrência.
Segundo o boletim, quando questionado sobre o dinheiro, José Antônio afirmou que levaria os valores para Mundo Novo e confirmou que trabalhava para a campanha de Lídio Lopes, mas não teria explicado a origem ou a finalidade das quantias. Ainda durante a abordagem, conforme o registro policial, ele teria oferecido R$ 5 mil a cada militar para evitar a prisão.
R$ 127 mil em espécie
A prestação de contas da campanha mostra que, até o momento, foram declarados R$ 148.951,50 em despesas. Entre as principais categorias estão R$ 48.550 em atividades de militância e mobilização de rua, R$ 20.400 em locação ou cessão de bens móveis, R$ 20 mil em materiais impressos e outros R$ 20 mil na produção de programas de rádio, televisão ou vídeo.
O relatório também registra R$ 18.500 em despesas com pessoal, R$ 6.500 em publicidade por adesivos, R$ 6 mil em cessão ou locação de veículos, R$ 6 mil em serviços contábeis e R$ 3 mil em impulsionamento de conteúdo.
A Polícia Federal ficou responsável pela apuração do caso, que é tratado como suspeita de compra de votos.
Até a publicação desta matéria, Lídio Lopes não havia apresentado esclarecimentos sobre a relação de José Antônio com a campanha, a origem dos R$ 127 mil ou o motivo pelo qual o assessor transportava o dinheiro em envelopes identificados.