Cidades

07/09/2016 19:00

QG da Lama Asfáltica e Uragano está com taxas de condomínio atrasadas desde 2014

Amorim é cobrado judicialmente por atrasos em condomínio do edifício Quinta Avenida

07/09/2016 às 19:00 | Atualizado Diana Christie
Geovanni Gomes

Em meio a tantas empresas e escritórios investigados pela Operação Lama Asfáltica, um edifício localizado na Rua Arthur Jorge foi considerado o ‘QG’ - quartel-general - da organização criminosa investigada na Operação Lama Asfáltica. Na região central de Campo Grande, a Galeria Quinta Avenida é citada pela Polícia Federal como ponto de “pagamentos e arrecadações” de propinas e lucros de atividades ilícitas.

Lá, o megaempresário João Alberto Amorim mantém duas salas, que usou como escritório e manteve encontros com políticos e agentes públicos em negociatas duvidosas que remontam à Operação Uragano. No entanto, após prisões sucessivas, bloqueio de bens e diversas investigações em andamento, o empresário começou a atrasar o pagamento da taxa de condomínio e a síndica do prédio ingressou com ação judicial para receber os débitos atrasados.

De acordo com os autos do processo, as taxas em atraso somam R$ 53.293,91, sendo R$ 28.911,90 referentes às despesas da sala 91 e R$ 24.382,01 da sala 92, de vencimentos entre 05 de novembro de 2014 e 05 de agosto de 2016. Os valores já consideram juros de 2% até o último vencimento, de acordo com o novo Código Civil, além da correção monetária e juros de mora de 1% ao mês, para todo o período da dívida.

A administração do edifício ainda afirma que procurou João Amorim por diversas vezes, mas sem sucesso. “O Réu, ao ser cobrada pela administração do Condomínio Autor sempre alega que irá providenciar o pagamento ou ainda faz propostas absurdas para saldar o seu débito, o que torna inviável a aceitação por parte do Condomínio. No entanto, o tempo passa e o problema não é solucionado, acarretando ainda mais dificuldades ao Condomínio e a dívida continua crescendo”, diz.

Segundo a síndica do local, a administração vem passando por sérias dificuldades de ordem financeira e acionou a Justiça para diversos contribuintes, pois “não obtém meios para atender em dia suas obrigações ordinárias e de manutenção do edifício se agravando ainda mais se a dívida perdurar. Os Condôminos que pagam suas respectivas cotas condominiais em dia não concordam com o procedimento do Réu, pois estão sendo obrigados a arcar sozinhos com as despesas que a ela caberia contribuir”.

Quinta Avenida

O escritório no 9º andar do prédio, vistoriado durante a Operação Lama Asfáltica, é velho conhecido dos agentes de fiscalização. Já durante a Operação Uragano, o empresário Geraldo Assis, da Planacom, chegou a ser preso, revelando em seu depoimento que o dinheiro desviado de obras superfaturadas seria entregue para uma secretária de João Amorim na Galeria Quinta Avenida. De acordo com ele, o encontro era rápido, sem conversas ou recibos, e os pagamentos sempre eram feitos por intermediários.

Em algumas das interceptações telefônicas realizadas pela PF na Lama Asfáltica, Elza Cristina Araújo dos Santos, sócia e secretária do empreiteiro João Amorim, convoca reuniões a serem realizadas no ‘extra’, geralmente envolvendo pagamento de propinas. Extra seria o apelido para os escritórios do empreiteiro, assim como outros codinomes foram usados pelo grupo criminoso, como ‘cafezinho’ para propinas e ‘cheio de charme’ para o avião da Itel Informática, registrado em nome de João Baird, mas de propriedade de Amorim.