Política

28/11/2017 07:49

Com AL cercada, servidores dormem no saguão em protesto contra reforma da previdência estadual

Protesto histórico é contra aumento da alíquota de contribuição

28/11/2017 às 07:49 | Atualizado Liziane Berrocal

Manifestantes contrários à reforma da previdência estadual resistiram e passaram a noite no saguão da Assembleia Legislativa no Parque dos Poderes. O grupo é composto por servidores estaduais e sindicalistas que não concordam com o aumento da alíquota

O protesto acontece depois de um ato histórico de ocupação do plenário parlamentar por sindicalistas na última sessão na quinta-feira passada, quando a votação da previdência estadual teve que ser suspensa pelos deputados que estavam votando o projeto do Governador Reinaldo Azambuja em Regime de urgência.

Protesto pacífico

Segundo as informações o protesto apesar de histórico é pacífico e conta com o apoio de duas viaturas da PM. “O que incomoda é que cercaram a Assembleia e a Governadoria e o acesso será restrito, isso revoltou a todos”, conta uma servidora que resolveu passar a noite na Casa de Leis Estadual.

Entre os manifestantes há policiais civis, professores e funcionários administrativos que levaram cobertas, toalhas e colchões para passarem a noite no local. “Aqui tem água e tem segurança aqui dentro. Não é clima de animosidade não até porque quem luta quem protesta defende o direito de todos, os que têm emprego e os que estão desempregados”, exalta um dos servidores que enviou mensagens a nossa reportagem.

Proposta polêmica

Segundo os servidores, os deputados teriam garantido que haveria discussão antes do projeto definitivo ser apresentado, porém eles teriam sido “enganados” e apresentado a proposição do Governo do Estado antes de discutir com os servidores.

Durante reunião na Comissão de Constituição, Justiça e Redação na Assembleia na semana passada, a servidora aposentada Auxiliadora Barbosa discutiu com o líder do governo, deputado Beto Pereira (PSDB), e durante a sessão os servidores entraram em confronto com os deputados com gritos de protestos e chuva de moedas.

Caso fosse aprovada, conforme estava na CCJR, a proposta passaria com 22 emendas enviadas pelo Governo Estadual, entre as principais está o escalonamento do aumento da alíquota paga pelos servidores de 11% a 14% sendo 1% ao ano, até 2020. Já o aumento patronal será de 22% para 25% também gradativo.

Houve certo recuo por parte do Governo que para atender as principais reclamações dos servidores apresentou duas emendas à proposta de reforma da previdência. Agora, o aumento na contribuição, de 11% para 14%, só vai atingir os altos salários, o que corresponde a 27% dos servidores. Já o fundo previdenciário, será usado, mas terá de ser reposto no prazo de um ano.

Neste caso, só vão contribuir aqueles que ganham acima do teto, que é R$ 5.531. O encontro para apresentar as duas sugestões aconteceu na tarde desta  segunda-feira (27), no gabinete do presidente Júnior Mochi (PMDB). A reunião foi a portas fechadas. Representantes de 22 categorias estiveram presentes.

Para começar a valer, a proposta precisa ser aprovada na segunda votação. Na última quinta-feira (23), a sessão que discutia o assunto foi interrompida. O governo acredita que a aprovação é necessária para equilibrar as contas, já que o déficit mensal passa de R$ 80 milhões e deve fechar o ano com rombo de R$ 1 bilhão.