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Na família grande, Douglas encontrou cinco formas de ser pai e amar incondicionalmente

Entre surpresas felizes e tristes, descobriu junto à esposa Aline o real sentido da paternidade com todos os tipos de filhos

12 AGO 2018
Amanda Amaral
11h30min
Foto: Wesley Ortiz

A história da família Yafuso Rodrigues não segue nenhum roteiro, como eles mesmos dizem. A casa é cheia, de amor e de gente, com Aline e Douglas, de 33 e 32 anos, os três filhos, Yuri, 14 anos, Amanda Miyuki, quatro anos, Yago, de um ano, e o afilhado Lucas, três anos, que fica a maior parte do tempo com eles.

O casal se conheceu há sete anos na casa de uma amiga em comum, mas Douglas conheceu primeiro Yuri, antes de sequer imaginar que iria ser chamado por ele de pai algum tempo depois. Houve conexão imediata de carinho entre os dois, mesmo com a dificuldade do menino, que nasceu com paralisia cerebral, de se apegar a outras pessoas.

Aline e Douglas começaram a namorar e ele se viu, de repente, transformado em pai. “Nunca tinha planejado ser pai. Mas foi natural, fui me vendo numa situação de cuidado, de amor, mas como qualquer família, ele é um adolescente, tem bronca também”, conta ele.

“Ele começou a viajar levando o Yuri para terapias em São Paulo, levando à escola. O Yuri não tinha a figura paterna, era bem infantilizado, eu mesma não consegui tirar chupeta dele e fazer ele usar tênis, o Douglas sim. São um grude”, completa a mãe.

Mal ele sabia o quanto iria ampliar seu papel paterno. Três anos depois, o casal decidiu dar um irmão ou irmã a Yuri, e assim nasceu Amanda. Algum tempo se passou e Aline engravidou novamente, de outra menina, Lorena.

Assim como Yuri, Lorena nasceu prematura, após seis meses de uma gestação cheia de obstáculos. Ela faleceu 12 horas depois do parto, momento de dor imensurável entre os pais. “Foi um baque que só a gente sabe o que sentiu, vai fazer dois anos neste mês, mexeu muito com a gente. Encontramo-nos numa fé que não tínhamos e nos fortalecemos por fim”, diz Aline.

Mas algo estava por vir, assim, de surpresa. Um ano se passou e os exames apontaram o que já era suspeitado, ela estava grávida mais uma vez. Receosos, decidiram manter a notícia apenas entre eles e familiares próximos, temendo sofrer mais uma vez.

E quem disse que o destino, para quem acredita nele, desapontou? Cheio de saúde e após os nove meses de uma gestação tranquila, nasceu Yago, em pleno domingo de Dia dos Pais.

Em meio a dificuldades financeiras, ele utilizou de seus conhecimentos de confeitaria para criar a própria marca de brownies recheados. Hoje, os doces são o sustento da família, vendidos em diversos estabelecimentos de Campo Grande. 

“Teve um momento que o Yuri ficou internado e o Douglas dormiu por oito dias na cadeira do hospital. Acordava e ia pro trabalho”, conta Aline.

A esse ponto, já era mais que inevitável para Douglas ‘sentir-se’ pai, com a emoção e peso que só compreendeu vivendo. “Eu não cresci tendo uma relação próxima com o meu pai. Hoje quero compensar dando todo o carinho pra eles, mostrando que eles podem confiar em mim, que estou sempre presente para o que der e vier”, diz.

E assim vivem, com desafios superados pelo zelo que têm entre si. “Brincamos falando que temos filho anjo, filho especial, filho surpresa, a planejada, e o afilhado, que fica de segunda a sexta. Sabemos ser pais de toda forma, com todo o amor”, finaliza Aline.

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