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Para driblar desemprego e depressão, professora aposta na criatividade na oferta de dotes ‘faz-tudo’

Escrever cartas de amor e términos, ajudar no TCC, fazer crochê e até levar avós a bailes são alternativas que Katia viu perante às dificuldades

27 DEZ 2018
Amanda Amaral
18h10min
Foto: Arquivo pessoal

Aos 41 anos, a professora de história Katia Bandeira se deparou com o desafio de refazer a própria vida. Há sete anos, saiu de Campo Grande para viver no Espírito Santo um amor de adolescência que havia reencontrado, casou-se, viveu feliz, mas o ciclo do casal teve fim. Há pouco tempo, decidiu voltar a Capital para perto da mãe e filho, e tem tido dificuldades para atuar na sua profissão. 

Mesmo saindo de uma depressão, decidiu não entregar os pontos e, através de um texto publicado em rede social em que se oferece para ‘mil e uma’ atividades para driblar o desemprego, ganhou a simpatia de todos. O anúncio criativo tem de tudo e mostra que não há tempo ruim para Katia.

“Posso dirigir para você, escrever cartas de amor, de amizade, de fim de relacionamento, fazer compras de supermercado, pagar contas, levar sua avó à consulta, igreja, baile, fazer marmitinhas para a semana, cuidar do seu animalzinho se você viajar, fazer biquinho de crochê nas fraldinhas de bebês ou panos, fazer tapetes em crochê, topo de bolo em biscuit, ajudar no TCC e fazer maquiagem para festas”, diz nele.

Katia e o filho. (Foto: Arquivo pessoal)

Ela conta que estas são as alternativas que enxerga enquanto aguarda pelo resultado de um concurso para professores do Estado, e sobre a inscrição para dar aulas em escolas públicas de Campo Grande e interior.  “Não tenho raiz. Vou para qualquer canto, só quero exercer bom magistério, que amo e claro, receber para isso para poder ajudar minha família que passa por dificuldades. Topo até dar aula na zona a rural. [...] Preciso estar bem para ajudar minha família, não só financeiramente. Tenho um pouco mais de conhecimento de mundo que eles e posso ajudar esse trem a voltar para os trilhos”, conta.

A situação ficou mais difícil após se passarem os três meses pelos quais se preparou com um montante para se sustentar. Mas ela se garante em alguns freelas e na capacidade ‘prendada’ de ser, já que tem facilidades com trabalhos manuais e conhecimentos na área de humanas, além de gostar do contato com pessoas.

Katia conta que ainda atua na proteção animal como voluntária, tem um cão e acaba de adotar um gato que teve graves problemas de saúde, precisando ter os olhos retirados. “É difícil, a ajuda é de amigos e muitas vezes é preciso fazer rifas para quitar a clínica... Não estou resgatando no momento, não tenho mais como”, conta.

Trabalhos em biscuit e crochê feitos por Katia. (Foto: Arquivo pessoal)

Se valeu a pena voltar, mesmo perante os desafios? Ela garante que sim. “Quando a gente está longe que dá valor ao que a gente tem, né? Campo Grande tem seus problemas, mas é linda! Tem uma mobilidade urbana incrível, o programa de castração de felinos no CCZ é exemplar, não conheço no Brasil igual. A cidade cresceu, o comércio é muito desenvolvido e em vários aspectos supera Vitória em produtos e serviços. Aqui também tem problemas como qualquer outra cidade média/grande, mas olha, nada supera olhar pro céu sendo cortado por casais de araras no final do dia. Tô apaixonada pela minha cidade”, declara-se.

Quer ajudar?

Para entrar em contato com Katia e quem sabe combinar alguma das trocas oferecidas por ela, basta encaminhar mensagem ao WhatsApp (27) 99724-1770 ou (67) 99883-2364.

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