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Polícia libera e obra tida como incentivo à pedofilia volta ao museu hoje

Quadro só poderá ser visto por maiores de 18 anos ou criança acompanhada de pai, mãe ou responsável

16 SET 2017
Diana Christie
12h41min
Foto: Álvaro Herculano

A polícia civil devolveu a obra de arte intitulada ‘Pedofilia’, da artista plástica Alessandra Cunha, para o secretário de Estado de Cultura, Athayde Nery, na manhã deste sábado (16). Segundo ele, o quadro voltará para a exposição no Marco (Museu de Arte Contemporânea), mas com restrição de idade.

“A polícia liberou e está sob a minha guarda, Agora vou devolver ao museu para enterrar essa história. Conversei com os delegados Fábio Sampaio e Paulo Lauretto, que são dois grandes profissionais nessa questão de combate a pedofilia, e eles acharam por bem devolver a obra, mas teremos cautela e o quadro só poderá ser visto por maiores de 18 anos ou acompanhado de pai, mãe ou responsável”, destaca Athayde.

Para o secretário, ‘pode ter havido um exagero, mas ninguém pode ser condenado por omissão’. “A peça é de combate à pedofilia pelo olhar artístico, mas a outra visão é da prevenção. Chegamos a um meio termo. Vamos continuar com a obra exposta, preservar a liberdade de expressão e respeitar as opiniões divergentes, de que o quadro pode suscitar a pedofilia se mal orientada, que a criança pode acabar tendo outra visão”.

Obra polêmica - Foto: Reprodução

A tela foi aprendida na tarde desta quinta-feira (14), pelo delegado Fabio Sampaio, da DEPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), em Campo Grande, após denúncia dos deputados estaduais Paulo Siufi (PMDB), Herculano Borges (SD) e Coronel David (PSC). Eles acreditam que a obra incentiva à pedofilia, ao invés de alertar sobre o problema.

Essa é a segunda vez que a artista mineira Alessandra Cunha expõe na cidade e a polêmica só teve início faltando três dias para o fim do evento, neste domingo (17). Intitulada ‘Cadafalso’ em alusão aonde mulheres eram queimadas por crimes de ‘bruxaria’, a série de quadros é uma crítica aberta ao machismo e à pedofilia e continua disponível no Marco.

De acordo com Athayde, a polícia civil também não irá mais intimar a coordenadora do Marco, Lucia Monte Serrat Bueno, para depoimento. 

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