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Áudio: bate-boca entre vereadores acaba em agressão física dentro da Câmara

Na discussão, Maria Donizete (PT) alega ter sido alvo de ofensas machistas, soco e empurrão de Edicarlos (PR)

23 NOV 2016
Amanda Amaral
17h00min
Foto: Reprodução/Câmara Municipal de Porto Murtinho

Bate-boca entre parlamentares da Câmara Municipal de Porto Murtinho, a 439 km de Campo Grande, foi parar na delegacia. A discussão envolvendo Maria Donizete (PT) e Edicarlos Lourenço (PSDB) teria sido motivada por uma publicação em rede social da filha da vereadora, que se posicionou contra a vitória de Edicarlos nas eleições. Descontrolado, ele teria inclusive desferido soco e empurrão contra a parlamentar.

A reportagem do TopMídiaNews tentou entrar em contato com os envolvidos, mas apenas a petista foi encontrada para comentar o caso. “Eu cheguei hoje na Câmara e fui direto pra minha sala, ele já estava lá e eu dei bom dia, perguntei se estava tudo bem e ele já estava gravando a conversa. Foi aí que comecei confrontando ele sobre um comentário ofensivo sobre a minha filha na rádio em que é locutor”, disse.

Edicarlos comanda um programa de rádio na FM Alto Paraguai, no distrito de Carmelo Peralta, que faz divisa com o município. Ele teria ficado inconformado com a publicação da filha de Maria Donizete e disparado xingamentos contra ela durante a programação.

“Primeiro ele disse que não tinha falado, depois assumiu que sim e disse que chamava ela de ‘biscatinha’ quantas vezes quisesse. Essa parte não está no áudio que circula por aí, ele cortou. É assim que ele age, desde quando eu era secretária de Educação, agredindo mulheres, fica furioso quando é confrontado, mas não bate de frente com homens”, desabafa a vereadora. Leia abaixo a transcrição de parte da conversa:

Maria Donizete: “[...] Assuma!”

Edicarlos: “Entendeu? Se ela agrediu, ela tem [inaudível], agora, se você não deu educação pra ela...”

Maria Donizete: “Educação meus filhos têm, se não tivessem...”

Edicarlos: “Acho que não, porque ela foi pra mídia, eu ainda conversei com seu esposo, poxa, cara!”

Maria Donizete: “E daí? É a liberdade, é a liberdade, todo mundo tem direito de expressão”

Edicarlos: “Expressão atacar? Atacar, humilhar? Como você foi eleita, eu também fui eleito”

Maria Donizete: “Rapaz, que atacar...? Você repudiar, como mulher [...] A promotora tinha que fazer uma análise séria, porque as agressões que você tem feito a todas as mulheres [...]”

Edicarlos: “E o que a sua filha fez? Então sua filha tem direito, por ela ser mulher?

Maria Donizete: “Rapaz [...] a Lei Maria da Penha pra você, Edicarlos, ia tirar o último fio de cabelo seu”

Edicarlos: “Ah, que lei? Dê educação pra sua filha que não acontece isso, essa porcaria, entendeu? Ela não vai pra uma rede social [...]”

Maria Donizete: “Ela é super educada... Ela é livre [...]”

Edicarlos: “Não, não é”

Maria Donizete: “Ela tem conhecimento”

Edicarlos: “Então ela tem direito de atacar as pessoas?”

Maria Donizete: “Não!”

Edicarlos: “Você leu o que ela escreveu?”

Maria Donizete: “Eu li!”

Edicarlos: “E você concorda? Você concorda?”

Maria Donizete: “Ué, nós somos livres!”

Edicarlos: “Então tá bom, eu também sou livre!”

Maria Donizete: “Então arque com as consequências”

Edicarlos: “E você também arque com as consequências!”

Maria Donizete: “Se você tá chamando minha filha de ‘biscatinha’, arque, assuma! ‘Eu chamei’, fala! Eu não tenho medo de você nem de ninguém”

Edicarlos: “Na verdade não foi pra ela, entendeu?”

Maria Donizete: “Não mexa com meus filhos! Não mexa com meus filhos!”

Edicarlos: “Mas ninguém ta mexendo com seus filhos...”

Maria Donizete: “Não mexa com meus filhos!”

Edicarlos: “Quem mexeu com seus filhos [inaudível, barulhos de objetos caindo]. Quem mexeu comigo foi ela!”

Alguém ao fundo: “Calma... Calma... Não”

Agressões

Maria Donizete alega que ambos se exaltaram e, então, aconteceram as agressões físicas. Ela relata que levou um soco na região do peitoral, bateu contra a parece e caiu no chão. Toda a cena teria sido testemunhada pelo vereador Carlos Heitor (PT) e, conforme ela, “só não virou um espancamento porque havia outra pessoa na sala”.

Os dois foram diretamente registrar boletim de ocorrência na delegacia do município.  “Fiz o exame de corpo de delito, estou com muita dor no pescoço e na região do cóccix, sem poder sentar. Esse homem é um perigo pra sociedade”, diz a vereadora. Na versão de Edicarlos no registro policial, ele alega que as agressões foram iniciadas pela parlamentar e que não teve intenção de machucá-la.

A situação foi gravada em áudio e mostra parte da troca de ofensas que aconteceu na manhã desta quarta-feira (23) e interrompeu a realização da sessão na Casa de Leis. Ouça abaixo:

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