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Acuados no trabalho, profissionais campo-grandenses são demitidos e sofrem ameaças

Conflitos profissionais

9 JAN 2014
Renan Gonzaga
06h00min
Odeio o meu colega. O que fazer? Foto: Renan Gonzaga

Quem nunca teve pelo menos um conflito profissional na vida que atire a primeira pedra. Vontade de xingar a pessoa, levar o problema ao proprietário da empresa e espalhar a incompetência do outro pelos corredores são alguns dos sentimentos mais comuns relatados por quem possui alguma desavença trabalhista.


Empresas onde muitos profissionais convivem diariamente, as vezes por mais de seis horas diárias, um ao lado do outro, são sempre locais de brigas e picuinhas, geralmente por conta de personalidades conflitantes, opiniões divergentes e até mesmo rixas pessoais.


A ex operadora de telemarketing Carolina Silva, de 23 anos, é um exemplo de quando o limite da boa convivência fica por um fio. “Quando eu trabalhava na empresa, tinha uma supervisora que adorava me perseguir, vivia falando de mim para os outros funcionários”, relata.


Segundo Carolina, a "rival" não perdia a oportunidade de alfineta-la, até mesmo nas confraternizações informais em casas de colegas. “A gente estava no apartamento de um amigo do serviço, em um final de semana, e quando cheguei na cozinha a encontrei falando de mim”.


 Ex operadora de telemarketing, Carolina Silva, é um exemplo de quando o limite da boa convivência fica por um fio. Foto: Renan Gonzaga


Quis resolver tudo na hora. Já cheguei puxando do cabelo dela. Não que eu seja barraqueira, mas o sangue subiu e eu simplesmente fiz o que deu vontade. E ela também mereceu, aquela sem noção”.


Depois de alguns meses na empresa, Carolina foi mandada embora, o que para a jovem foi algo esperado, já que todo mundo sabia da briga entre as duas. “No final me contaram que o motivo de toda perseguição foi porque meu ficante era ex dela. Tinha como eu adivinhar?”, questiona.


Mas você já parou para pensar se isso é realmente bom para o profissional e para a empresa? Nos casos de assédio moral, onde o superior se aproveita da hierarquia para cometer o crime dentro do ambiente de trabalho, o problema pode tomar uma proporção bem maior.


Eu trabalhei durante quatro anos e meio em uma seguradora multinacional e quando estava com três anos de empresa, uma mulher foi contratada para ser minha gerente”, explica a campo-grandense especialista na venda de seguros diversos que não quis se identificar.


A princípio ela se mostrou minha amiga e companheira, mas assim que pegou o jeito do trabalho começou a me humilhar, deixando sempre claro que ela 'mandava' em mim. A situação piorou quando eu descobri que ela tinha um caso com nosso superintendente, mas guardei segredo e nunca falei nada para ninguém”.


Depois do ocorrido, a securitária afirmou que sua vida virou um “inferno” e que a situação só piorava com o passar dos dias porque qualquer falha, ou esquecimento, a superior reportava ao chefe do setor. E ele também começou a assediá-la moralmente, forçando-a pedir demissão.


A conclusão do caso foi que não aguentei a pressão e acabei denunciando ambos para o setor de Compliance da empresa (Postura e ética de trabalho) e o RH me chamou, acreditou nas minhas denúncias e fui transferida para outro setor”. A especialista em vendas conta que a própria empresa a protegeu dos dois, e em menos de um ano a gerente foi demitida por reclamações de clientes, e depois o chefe também foi mandado embora.


A securitária revela que precisou fazer tratamentos psicológicos após ameaças no trabalho. Foto: Renan Gonzaga


No Brasil o assédio moral teve sua primeira punição apenas em 2001, mas começou a ser estudado a fundo em 1984, em outro canto do mundo, pelo médico psiquiatra alemão Heinz Leymann. As indenizações variam entre 10 mil e 2 milhões de reais e levam em conta critérios como capacidade econômica do ofensor, extensão do dano e condição pessoal.


Os danos psicológicos para a securitária foram os piores possíveis, mas atualmente recuperada, não guarda rancor e segue sua vida normalmente. “Me causou muita mágoa, baixa auto-estima e depressão. Tive que fazer tratamento psicológico por causa dela. No entanto, me libertei e hoje de coração a perdoei, como a ele também”.


Sigo feliz e realizada na minha atual profissão e tenho certeza desta lição de vida: Ninguém é melhor do que ninguém, a verdade sempre prevalece para quem é honesto e bom funcionário”, finaliza.

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