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há 57 minutos

Incentivado pelas filhas, pai volta a estudar após 40 anos e realiza sonho de cursar universidade

Paulo de Tarso Varela Ferro recebeu uma inscrição de vestibular das filhas

"Se não fizer a prova e não passar, nós vamos arrancar seu couro." A frase, dita em tom de brincadeira pelas filhas, foi o empurrão que faltava para Paulo de Tarso Varela Ferro, de 67 anos, voltar aos estudos depois de quatro décadas longe da sala de aula. Hoje, ele está prestes a concluir a graduação em Educação do Campo na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e já sonha com uma pós-graduação, um mestrado e uma carreira como professor.

Natural do Ceará, Paulo concluiu o ensino médio no início da década de 1980. Passou pelo Rio de Janeiro e São Paulo antes de se estabelecer em Mato Grosso do Sul, há quase 40 anos. No Estado, construiu a vida ao lado da esposa, Mariana, e dedicou grande parte do tempo à família e ao trabalho no campo.

O maior objetivo do casal sempre foi garantir que as filhas tivessem acesso aos estudos. Mesmo morando em um assentamento, enfrentaram estradas difíceis e mudaram a rotina para que elas pudessem estudar em escolas com melhor estrutura.

O presente que mudou a vida

No fim de 2023, Paulo recebeu um presente inesperado. As filhas chegaram em casa e entregaram a inscrição para o vestibular da universidade, já paga.

A primeira reação foi de susto. "Eu falei: 'Faz 40 anos que eu não pego num livro. Não tenho mais tempo de estudar'", mas as filhas não aceitaram desculpas.

"E elas responderam: 'Vai ter que fazer. Se não fizer e não passar, nós vamos arrancar seu couro'."

Mesmo sem conseguir dedicar tempo aos estudos, Paulo decidiu tentar. Fez a prova apenas confiando no que ainda lembrava da época da escola. Para surpresa dele, foi aprovado.

O medo deu lugar ao orgulho

Durante muitos anos, Paulo acreditou que uma universidade federal não era um espaço para alguém da idade dele. "Eu passava em frente e pensava: 'Isso aqui é para jovem, para filho de quem tem condição, para gente muito inteligente'. Eu tinha medo da Universidade Federal."

O receio desapareceu logo nos primeiros meses de aula.

Hoje, ele conta que encontrou professores acolhedores e uma turma formada por pessoas de diferentes realidades, como moradores de assentamentos, indígenas e quilombolas, especialmente no curso de Educação do Campo.

O plano não termina com o diploma.

Convidado por uma professora para acompanhar atividades do programa de pós-graduação como ouvinte, ele já pensa nos próximos passos, como um mestrado.

Mais do que conquistar um novo diploma, Paulo quer realizar outro sonho: dar aulas. "Mesmo com quase 68 anos, eu quero entrar em uma sala de aula. Quero ensinar. É um sonho e espero conseguir realizá-lo."

Para Paulo, voltar à universidade não foi apenas uma conquista pessoal. Foi uma demonstração do amor das filhas, que acreditaram em um sonho que ele mesmo já havia deixado para trás. "As meninas me ajudam muito, me dão força o tempo todo. Elas acreditaram em mim antes mesmo de eu acreditar."

 

 

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