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Capitã do Corpo de Bombeiros, ela é 'ponta firme', mas mantém a sensibilidade

O poder feminino

13 FEV 2014
Renan Gonzaga
06h00min
(Foto: Renan Gonzaga)

Bombeira há oito anos, Cláudia Karoline Rodrigues, de 29 anos, é capitã e já chegou a comandar uma tropa de 29 homens em Fátima do Sul, no interior do Estado. Um trabalho que a colocou em teste por quem duvida da capacidade de uma mulher no comando, porém, se saiu muito bem por conta de sua sensibilidade, e de quebra, acabou conquistando a amizade de todos.


Hoje ela é o orgulho de sua família e “poderosa” na visão dos amigos. Mas para chegar onde chegou, teve que, muito cedo, decidir entre suas duas paixões: O jornalismo e ajudar a salvar vidas. Isso porque quando muito jovem, aos 18 anos, época em que trabalhava como vendedora em um loja de cosméticos para pagar a faculdade, resolveu prestar concurso para o Corpo de Bombeiros.


Foi minha mãe quem me incentivou a prestar o concurso na época em que eu estudava. Eu já tinha começado a faculdade de Jornalismo e queria trabalhar na área. Mas eu fui sem saber o que eu iria passar, não tinha noção do que viria a ser”, revela Karoline sobre o começo da carreira, logo após ser aprovada no processo seletivo do Curso de Formação de Oficiais da Academia de Bombeiro Militar D. Pedro II do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.


Durante três anos, entre 2005 e 2007, a campo-grandense, filha única, que até então não havia morado longa do pai e da mãe, largou sua família a amigos, na garra e na coragem, para viver sozinha em outro estado, após trancar a faculdade de Jornalismo. “Minha vida virou de cabeça pra baixo em uma semana, foi uma loucura”, relembra.


Segundo ela, o fato de ser mulher ajudou bastante na profissão, onde nunca sofreu preconceito, mas já sentiu colocada à prova por estar em um meio dominado por homens. "O diferencial é que uma mulher é mais sensível na ocorrência, e o homem é mais brutão. As vezes em uma situação que precisa de uma sensibilidade, um outro feeling, a gente tem uma diferença. Não que os homens não sejam bons, mas é diferente", ressalta.


Vaidosa, Karoline acredita que sua feminilidade não interfere no profissionalismo. (Foto: Arquivo pessoal)


Independente do gênero, sua profissão cobra bastante de qualquer profissional. As ocorrências que mais a deixam triste, é quando envolve morte de crianças, porém, o lado emocional não pode falar mais alto. “A capitã Karoline tem que tomar decisões para salvar vida de pessoas, então eu não posso ser indecisa, ou tomar uma atitude errada. Dependendo do que eu faça posso não ter exito no socorro”, comenta a campo-grandense.


Após a conclusão do curso no Rio de Janeiro, ela voltou para Mato Grosso do Sul onde pode terminar sua faculdade de Jornalismo e, consequentemente, realizar mais um sonho. A comunicação foi sua primeira paixão, desde pequena acompanhava os telejornais e tinha vontade de ser como a Fátima Bernardes. Então, terminar o curso em 2010, acima de tudo, foi uma realização pessoal.


Já estabilizada, comandou o Quartel do Corpo de Bombeiros de Fátima do Sul durante um ano e seis meses. Lá ela teve que começar tudo mais uma vez, montando casa e morando sozinha. “Foi uma situação diferente porque para comandar você tem que dar a cara a tapa. Eram 29 homens e uma mulher. Eu era tipo uma mãe daqueles marmanjos, mesmo tendo idade para ser filha deles”, afirma a capitã sobre o fato de se tornar amiga de todos.


Você deve estar se perguntando se esse partidão é solteira e livre ou está em um relacionamento sério. A resposta é que ela está bem, se conhecendo. Mas sofre com o mal de toda mulher que tem uma certa posição de 'poder'. “O problema é que eles se afastam por conta da minha profissão. Eu sinto um receio dos homens, e na verdade quando estou na balada, eu até falo que sou jornalista”, brinca.


Depois de tudo, ela vê a paixão que descobriu fazendo parte do Corpo de Bombeiros como um novo objetivo de vida. “Eu, Karol, sou muito feliz e realizada na minha profissão. Eu me encontrei e acho que eu tenho a missão de salvar e ajudar as pessoas. Meu sonho era ser jornalista, mas a vida me conduziu e eu escolhi o que era melhor pra mim. Sou apaixonada pelo que faço e não troco de profissão não”, finaliza.

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