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Profissão passada de pai pra filho, catadores de reciclagem transformam lixo em renda na Capital

Ofício de família, eles defendem que não se imaginam fazendo outra coisa

12 AGO 2019
Nathalia Pelzl
07h00min
Foto: André de Abreu

Com o aumento populacional, houve também um aumento e tanto na produção de lixo, dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2008, mostram que cerca de 50% das cidades do país possuem lixões.

Em contrapartida, precisamos estar cada vez mais ligados e conscientes da importância dos profissionais que atuam na retirada desses resíduos das ruas, entre eles, os catadores de recicláveis.

Em Campo Grande, no bairro Dom Antônio e Parque do Sul, região sul, a concentração desses profissionais é grande, sendo muitas vezes um ofício de família. Márcio de Lima, 43 anos, trabalha dessa forma há 20 anos. Ele conta que essa é a única fonte de renda da família, que possui quatro integrantes.

“Dá pra tirar um salário e meio. Sempre sustentei minha família dessa forma e meus filhos trabalham com isso, comecei a trabalhar com reciclagem lá no lixão, e na época eu gostei e hoje não largo mais. Trabalho todos os dias, passo recolhendo nos condomínios, ai eu vendo para o pessoal que prensa e passa para usina, trabalho com plástico e papelão”, destaca.

Segundo ele, nunca sofreu nenhum tipo de discriminação ou preconceito, sendo que as pessoas sempre o tratam com educação.

“Povo é bem educado, às vezes tem uns cachaceiros, igual estava lá no centro catando reciclagem e o cara passou e falou, ‘oh, lixeiro’, mas o povo é bem parceiro”, defende.

A ideia agora é criar e investir e vassouras recicláveis feitas de pet, segundo ele, o investimento para começar o negócio é em média R$ 2 mil.

“Pretendo colocar em prática ano que vem, preciso arrumar umas máquinas, o material eu arrumo, é só organizar”.

Assim como Márcio, Lucas Rezende, 24 anos, defende que ‘nasceu assim’, sendo esta profissão a única coisa que sabe fazer.

“A gente nasceu assim, sempre mexendo com reciclagem, meu pai ganhou a vida com reciclagem, nós tínhamos uma vida muito dificultosa, a gente não tinha nada. Começamos de carroça, hoje nós já temos alguns caminhões para trabalhar, conseguimos comprar umas prensa, está difícil, mas devagarzinho a gente vai andando. A gente não sabe fazer outras coisas”, pondera.

Com o dinheiro da reciclagem, a família de Lucas conseguiu conquistar casa própria, sobrado, carros e até o espaço onde a empresa funciona.

“A gente sempre vai se virando, trabalhando, às vezes atrasa prestação, corre paga uma, deixa  a outra. Aqui empregamos 12 pessoas, que atuam de segunda a sexta, compramos o material dos carrinheiros, prensamos e mandamos pra usina”, pontua.

Sobre os critérios de contratação, Lucas defende que é preciso boa vontade, disposição para o trabalho e estar desempregado.

“O critério para ser contratado é estar desempregado e precisando de serviço, precisou aqui tem, se tiver vontade a gente emprega”, finaliza.

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