A vida fez com que os destinos de três Joãos se cruzassem em Mato Grosso do Sul. São João Batista foi o primeiro a entrar na história. Porém, o dia 24 de Junho, dedicado a sua celebração, desde 1899, teve de ser dividido com mais de um século de aniversários de João Domingos da Rosa, que nesta terça-feira (24), completou 115 anos de idade. E é o local da festa que faz o terceiro personagem deste trio e o aniversário de Domingos tão especial. Residente no Recanto São João Bosco há 21 anos, o idoso é um dos mais velhos do local e foi junto aos companheiros de longevidade, em um festa junina, regada de doces e salgadinhos, que ele comemorou anos.
A data impressa nos documentos impressiona, mas o papel tão novo dos registros deixa dúvidas sobre sua veracidade. Ao observarmos a figura de corpo curvado sobre um cadeira de rodas, de pele enrugada, olhos fechados as imagens, bem como, boca e ouvidos aos sons, qualquer dúvida de esvai e entendemos que, dificilmente, algum papel resista há tantos anos sem os extravios do tempo.

(Foto: Deivid Correia)
Responsável por trazer Domingos ao Recanto, a irmã Fausta Costa Passionista, 86 anos, então diretora do local, explica que tal contradição se deve a fato da documentação ser refeita em 08 de maio de 1993. "Ele tinha 85 anos quando veio e precisava receber a aposentadoria. Dominguinhos sempre foi uma delicadeza. Mesmo com 100 anos, ajudava na copa e dava comida na boca de alguns colegas que não podiam se alimentar", relembra.
Foi na cidade de Maracujá, distante 160 quilômetros de Campo Grande, que João Domingos nasceu, cresceu e envelheceu. Teve um vida inteira dedicada ao patrão, proprietário de uma fazenda, de quem ajudou a criar os filhos e netos. Seus próprio, não teve. Como a idade chega para todos, o patrão, já com cem anos e doente, não pode mais ajudá-lo.
Apesar dos poucos indícios de uma vida pessoal, o diretor do Recanto, diácono José Carlos Gomes, afirma que alguns descendentes chegaram a visitar Dominguinhos, como é carinhosamente chamado, porém nos últimos anos não entraram mais em contato. "Apesar de tudo, é uma alegria comemorar com ele 115 anos e ver ele alcançar essa longevidade aqui", afirma.

(Foto: Deivid Correia)
De acordo com a técnica de enfermagem, Adriana Cito, 29 anos, a figura decaída dentro do conjunto de terno e calça folgados, surgiu apenas de um ano para cá. Há cinco anos lhe dando assistência quase que diariamente, ela afirma que Seo João toma apenas um remédio por dia e a única cirurgia pela qual passou foi de um transplante de córnea. "Foi há cerca de dois anos, apenas para fins estéticos, por que não pode mais enxergar", explica. A idade também é o motivo da perda de audição, fala e enfraquecimento das pernas.
Mesmo com as limitações inerentes a idade, Domingos é um inspiração para os outros idosos que compartilham a convivência no recanto. Ana Ferreira, 89 anos, é um das admiradoras de João. "Eu espero, se Deus quiser, que eu viva tanto quanto ele. Ele é um exemplo", afirma.







