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De hobby a trabalho: Eloísa encontrou na produção de tercinhos fonte de renda e de evangelização

Artesã reza enquanto produz os decenários

14 outubro 2018 - 15h15Por Kerolyn Araújo

Tudo começou como hobby, confecção para uso próprio e para presentear os amigos, mas logo os decenários feitos à mão por Eloísa Helena Okumoto dos Santos, 25 anos, virou trabalho. Por meio dos famosos 'tercinhos', a artesã encontrou uma fonte de renda e um meio de evangelizar as pessoas.

Eloísa conta que tudo começou na Copa do Mundo de 2010, quando a cantora colombiana Shakira apareceu usando vários decenários. ''Quando era mais nova, eu sempre fui da modinha. Quando alguém aparecia com algo novo na televisão eu já queria, não era por status, mas é porque eram coisas que eu gostava demais. Quando a Shakira apareceu com vários decenários coloridos no pulso, eu fui procurar onde encontrava para comprar e não achei", explicou.

A artesã 'rodou' Campo Grande e vários sites na internet em busca dos famosos decenários das cantora, mas não encontrou. Então, ela decidiu que aprenderia a fazer para uso próprio. ''Eu fui criada em berço católico, mas não participava muito das coisas. Quando comecei a fazer os decenários me questionei: vou usar sem sentido algum? Isso fomentou a minha curiosidade sobre o assunto''.

Eloísa aprendeu a fazer os tercinhos e começou a usar. O que ela não esperava era que eles fariam sucesso entre os amigos. ''Eu sempre gostei de dar presentes personalizados, algo que eu mesma tivesse o carinho de escolher. Percebi que eu poderia fazer para presentear as pessoas. Porém, depois de um tempo, elas começaram a encomendar".

(Tercinhos são produzidos à mão por Eloísa e a sócia. Foto: Arquivo Pessoal)

No começo, Eloísa não imaginava que o hobby se tornaria profissão e hesitou ao se deparar com a primeira encomenda. ''Eu era muito novinha, não tinha dinheiro nem para comprar o material. Eu me perguntava como iria fazer em maior quantidade para dar para as pessoas que estavam pedindo. Então, decidi cobrar apenas o material utilizado na confecção", lembrou.

As encomendas não paravam de chegar e a artesã, junto com uma amiga, decidiu fazer do hobby um trabalho e criou o Terço Urbano. Apesar de ser uma fonte de renda, Eloísa não vê o empreendimento apenas como algo que da lucro. ''Faço mais por amor do que por dinheiro, mesmo sabendo que é isso que me sustenta". Por meio dos tercinhos, a artesã também encontra uma maneira de evangelizar os clientes, rezando enquanto produz os decenários. ''Tento fazer parte da história daquele presente em forma de oração'', conta.

Nos tercinhos, rezando e fortalecendo a fé, Eloísa se encontrou. ''Nunca sonhei em ser advogada, administradora... a minha única certeza é que eu quero viver disso pelo resto da vida. Não me vejo fazendo outra coisa. Já vivi muitas histórias por causa desse trabalho, conheci pessoas incríveis, realidades e muitos testemunhos''.

(Eloísa produzindo os tercinhos. Foto: Arquivo Pessoal)

Hoje, o Terço Urbano está presente em forma de lembrancinhas de retiros, batizados, festas de família e até casamentos. E o hobby que virou trabalho, também fortaleceu a caminhada de Eloísa na igreja ao lado dos pais e do irmão. ''Em casa costumamos dizer que nenhum de nós é tão forte quanto nós quatro juntos''.

O trabalho de Eloísa pode ser conferido por meio do Instagram/tercourbano.