A menina de 9 anos que emocionou os campo-grandenses com um bilhete de cuidado na bag do pai também tem um espaço especial para demonstrar o que sente dentro de casa, em Campo Grande. Cecília Alves Lescano tem uma parte da parede reservada para desenhar livremente, hábito que a família cultiva desde que ela era pequena e que se tornou uma forma de comunicação entre a criança e os pais.
Segundo Juliano Lescano, de 32 anos, Cecília sempre gostou de desenhar e a família percebeu ainda nos primeiros rabiscos que ela preferia utilizar a parede em vez do caderno. Em vez de impedir a prática, os pais decidiram adaptar o espaço para que a menina pudesse continuar criando.
“Desde quando ela era pequena, quando começou a querer fazer uns rabiscos, pintar, a gente sempre deixou a parede ali livre para ela. Ela olha para a parede e acha que ali é o quadro dela, é o caderno dela, e começa a pintar”, conta.
De acordo com o pai, Cecília pinta conforme a vontade e costuma representar diferentes sentimentos por meio de figuras, desde expressões felizes ou tristes. A família acompanha as criações e conversa com a menina sobre o significado de cada uma.
“Ela expressa as emoções dela, fica livre pintando. A gente sempre apoiou ela e, a cada desenho que ela faz, a gente pergunta o porquê do desenho, sempre tendo um significadinho. É um jeito dela mostrar as emoções dela”, detalha Juliano.
Para Juliano, o importante é que a filha tenha liberdade para criar e que os pais estejam presentes para ouvir o que ela deseja contar.
“É uma coisa que a gente consegue entender o que ela está sentindo também”, afirma.

O espaço reservado para Cecília não precisa permanecer com as mesmas pinturas. Quando a parede começa a ficar cheia, a família conversa com a menina e limpa a superfície para que ela possa fazer novas criações.
“A gente passa um tempinho e, quando vê que a parede está querendo ficar cheia de desenho, fala para ela que vai apagar para ela pintar de novo. Aí a gente apaga e ela pinta de novo”, explica.
Carinho que também foi parar na bag

Foi essa mesma forma de expressão que levou Cecília a preparar o bilhete que chamou a atenção na bag do pai. Juliano começou a trabalhar com entregas após ficar desempregado, e a filha preocupada com os riscos do trânsito fez o recadinho.
“Ela é preocupada, ela sabe como é o trânsito. Até quando eu falei que ia virar entregador, ela não queria deixar porque é perigoso. Mas aí eu expliquei que o pai dela toma cuidado, que precisa trabalhar. Aí ela pegou e fez esse recadinho”, lembra.








