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No ano novo, culturas japonesa e brasileira se unem pelo 'bolinho da prosperidade'

União

1 JAN 2014
Renan Gonzaga
09h40min
Moti, o bolinho que traz energias boas. Foto: Renan Gonzaga

Este é um dos festivais mais importantes da cultura japonesa. O moti é um bolinho de arroz, conhecido também como 'bolinho da prosperidade', que há séculos se tornou um ingrediente essencial nas celebrações de ano novo, tanto que hoje é comemorado inclusive no Brasil.


Tradicional no dia primeiro de janeiro no Japão, em Mato Grosso do Sul e outros Estados brasileiros teve que ser antecipado para o dia 31, e se adaptar para não “conflitar” com as tradicionais comemorações já celebradas pela população no ano novo brasileiro, como o churrasco com cerveja.


O 'moti tsuki' era realizado antigamente pela maioria das famílias em suas residências, que usavam um pilão de madeira. Mas hoje poucas pessoas mantêm essa tradição, e nas grandes cidades do japão o festival está desaparecendo aos poucos porque a população passou a comprar o moti pronto, industrializado, para celebrar as festas.

 

Colônia japonesa de Campo Grande prepara moti para dar ter sorte em 2014. Foto: Renan Gonzaga


Em muitas comunidades brasileiras, as famílias de origem japonesa, ou nikkeis, costumam se reunir em associações para realizar o “moti tsuki”. Em Campo Grande o festival já está em sua décima edição na Nipo. “Independente de ser uma tradição japonesa, se mistura com alguns costumes brasileiros, como comer romãs”, afirma Silvio Mori, Silvio Mori, assessor de imprensa da Associação Esportiva e Cultural Nipo Brasileira de Campo Grande.


Aos 75 anos, Eiko Shinohara, é uma das pessoas mais antigas que preservam a cultura do moti. “Era uma tradição de família, desde pequena eu lembro. Quando eu era criança eu não tinha muita responsabilidades no preparo, mas eu sei que minha mãe fazia, minha avó fazia e o papai socava. Depois de casada a mesma coisa.


Preparado com um arroz especial, mais duro que o arroz comum, o moti deve ser colocado de molho na água durante um dia e em seguida cozido no vapor. Depois vem a socagem no pilão, feita com uma marreta de madeira. Enquanto isso, uma outra pessoa deve borrifar água e virar a massa para o arroz não grudar.


Abrasileirado, o festival do moti conta com romã para trazer sorte no ano novo. Foto: Renan Gonzaga


No momento em que o arroz se transforma em uma massa lisa e firme, já pode ser cortado em bolinhos, que são enrolados e polvilhados com amido de milho. Os tamanhos são variados e podem ser servidos puros, recheados com doce de feijão azuki.


Essa participação de várias pessoas, que se revezam no trabalho, tem um significado que vai além do que se imagina. “A gente faz duas bolas de arroz, a maior é em agradecimento ao ano que se passou e a menor, que vai em cima, significa que os problemas do ano vindouro sejam menores”, finaliza Maria Leny Adania, uma das responsáveis pelo festival na Nipo.

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