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Camara Maio

No Dia Nacional do Fusca, conheça as histórias de Azulão e Bonifácio

Homenagem

20 JAN 2014
Renan Gonzaga
06h00min
Azulão, xodó de Célida e sua família (Foto: Renan Gonzaga)

Hoje é comemorado o Dia Nacional do Fusca, uma data criada para homenagear o Volkswagen mais famoso do mundo. Tudo começou com os encontros esporádicos feitos pelo Sedan Clube do Brasil, em 1988, para celebrar os vários modelos do veículo. E conforme o encontro foi ficando famoso, nasceu a idade de criar um evento único.


Por problemas logísticos, a data escolhida inicialmente, que era 20 de novembro, foi mudada para 20 de janeiro, e resultou na criação de um dia bastante comemorado por apaixonados por Fusca. Mas bem antes desse dia ser criado, dois modelos do famoso carro já haviam sido produzidos e resultariam em lindas histórias de amor do proprietário pelo Volkswagen.

 

AZULÃO


A história de Azulão se confunde com a vida da historiadora Célida Vanilda, campo-grandense de 27 anos. O carro foi comprado por sua avó em 1983, para dar de presente ao seu pai, próximo do período de tirar carteira de motorista, já que naquela época era comum retirar a habilitação com o próprio veículo.


Célida posando ao lado de Azulão aos oito e aos 27 anos. (Foto: Renan Gonzaga e arquivo pessoal)


Foi um carro que ele sempre utilizou para tudo mesmo, desde ir ao trabalho até passear”, conta Célida. O xodó da família, como é nomeado, é responsável por momentos únicos na vida da historiadora. “A primeira vez que peguei estrada foi com ele”, ressalta a jovem que afirma preferir o Fusca para viajar para encontros de carros antigos por questões de estabilidade e economia.


Diferente de quando era do seu pai, Célida revela ter feito algumas mudanças no veículo. “Eu troquei a tapeçaria dele, troquei os bancos da frente por uns mais modernos para me ajudar nas viagens, e mudei a cor, por uma mais metálica”, explica. Mas a mudança mais importante foi realizada por segurança: O veículo possui um dispositivo que só a proprietária consegue acionar para fazer o Azulão andar.


O carro chama bastante atenção por onde passa. Nas viagens é comum os passageiros dos motociclistas e carros passarem por ela, mesmo nas rodovias, com o celular ou câmera na mão filmando o trajeto do veículo, junto com os outros Fuscas dos membros da confraria. “A gente pensa que o cara deve estar bravo, mas depois passa filmando pela janela”.


Azulão após passar por três gerações. (Foto: Renan Gonzaga)


Para a jovem, a relação com o veículo é totalmente sentimental porque traz lembranças de sua avó que já é falecida. “Mesmo quando ela era viva meu pai nunca teve intenção de vender. Da mesma forma que ele deu pra mim e eu também não quero vender. É um presente de família, não tem preço”, garante.


BONIFÁCIO


O Zootecnista Gabriel Abrahão Pacheco é o proprietário do Bonifácio, que ao contrário de Azulão, não fei presente de familiares. Sem nunca dirigir um fusca, o jovem de 24 anos sempre teve interesse pelo modelo e quando seu pai resolveu presenteá-lo com um carro, escolheu – claro – o Volkswagen. “Eu tinha 21 anos e cursava o segundo ano de Zootecnia, e realmente estava precisando de um carro para me conduzir até a faculdade”, relembra.


O Fusca no começo do processo de restauração. (Foto: Arquivo pessoal)


Depois de meses procurando, encontrou um modelo anterior a década de 70, que descobriu parando de casa em casa e perguntando quando via um carro estacionado na garagem. “Visualizava um e imediatamente parava e chamava o proprietário para saber se vendia o Fusca”, diz Gabriel, que afirma que no caso de Bonifácio foi amor à primeira vista.


A escolha foi intervenção de seu pai, que sugeriu comprar um modelo “deteriorado” para então restaura-lo. “Assim iriamos saber o que foi feito”, justifica. E, como todos podem imaginar, os gastos elevados vieram junto. “Resolvemos fazer um serviço qualificado substituindo qualquer peça que estivesse desgastada por outra nova”, complementa.


Foram substituídos no carro o capo dianteiro, portas esquerda e direita, assoalho, caixa de areia, pé de coluna, chapéu de Napoleão, estribo, além de refazer todo o acabamento e outros detalhes. No total, depois de três anos, a restauração custou R$ 41 mil a Gabriel e seu pai. “Por mais que tenha gastado muito, fiquei contente com o resultado depois de pronto”, afirma o jovem.


Bonifácio após R$ 41 mil em restaurações. (Foto: Arquivo pessoal)


Para o zootecnista, a paixão que sente por seu veículo é incondicional, principalmente por proporcionar bons momentos ao lado de seu pai. “Ele se tornou um bom companheiro em nossas viagens. Nos encontros pela Confraria Apaixonados por Fusca somos muitos elogiados por demonstrar uma relação assim de pai e filho”, finaliza.

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