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Por amor, irmãs cuidam de 22 gatos de rua em casa

Compaixão

10 DEZ 2013
Renan Gonzaga
08h45min
As irmãs Najla e Sahra, responsáveis por 22 gatinhos. Foto: Renan Gonzaga

O Facebook está aí para provar. Fotos de animais abandonados e maltratados são diariamente compartilhadas nas redes sociais, porque é um assunto que revolta qualquer pessoa que tenha o mínimo de compaixão. Ou vai me dizer que você não se comoveu com a história dos beagles cobaias, salvos do Instituto Royal?

E aqui na Capital algo parecido acontece. Unidas por um ideal em comum, que é o cuidado com a vida dos gatos, as irmãs Sahra e Najla Gadia perceberam que os felinos abandonados na rua precisavam de tratamento especial para arrumar um novo lar. E desde então é isso que elas fazem diariamente.

Vale pegar escondido o gatinho maltratado do vizinho para levar à castração, ou até colocar 22 felinos dentro de casa. O importante é fazer o bem. "Somos eu, minha irmã e a nossa amiga Anne. A gente sempre se juntou para castrar os bichos, e de uns tempos pra cá estamos trazendo todos para dentro da nossa residência", revela a advogada Najla.

Estudante de Medicina Veterinária, Sahra Gadia explica como tudo começou. "A nossa rua era sem saída, e a Anne Machinsky morava ao lado e também gostava de animais. E como as pessoas viam que a gente cuidava dos bichinhos, porque aqui em casa tinha bastante, eles jogavam vários ali na frente, principalmente recém-nascidos e doentes."

 

Por conta do trabalho como produtora, a amiga Anne teve que dedicar menos tempo aos animais, mas irmãs continuam firmes e fortes. "Ontem uma senhora me ligou e disse que seu gatinho estava vomitando, quase morrendo. E eu fui lá levar remédio. Hoje ela me ligou  novamente, para falar que ele está bem e já está comendo", relata Najla.

"Batemos de porta em porta nos vizinhos e eles também ligam perguntando se a gente pode ajudar. Pegamos os gatos deles e levamos para consulta no hospital veterinário, porque lá o exame é de graça durante a aula. Tentamos ajudar da maneira que podemos."



Sobre montar uma ONG, as irmãs revelam que tem vontade, só que no futuro, quando tiverem mais condições. "Tudo o que a gente faz é com nosso dinheiro, principalmente quando tem que fazer resgate e levar para a castração. Não temos nada oficial, e a nossa vontade é de abrir uma ONG, mas quando a gente tiver nosso espaço e poder divulgar", garante Sahra.

A paixão pelos bichanos é tanta que Najla adquiriu recentemente uma doença de pele por causa do contato direto com os animais doentes. "Estou cheia de bolhas tipo sarna na minha perna, desde a semana passada. Passei um monte de coisa e não melhorou, agora estou tentando marcar dermatologista para ver o que é."

 

Para as irmãs, a dedicação não tem limites. "Os vizinhos pedem ajuda e a gente consegue receitas. Se temos remédios a gente também doa. A minha irmã já entrou dentro de um bueiro para pegar dois filhotinhos que estavam em um saco. E eu, ao mesmo tempo que aprendo na faculdade, ajudo os animais", comenta Sahra.

"Levamos o gatinho da dona do barzinho da esquina para castrar, e de início ela não acreditou que a gente faria isso por ela. Como retribuição, ela nos deu uma Coca, e essa foi a única coisa que ganhamos até agora. Mas a gente não liga pra isso."


Segundo a estudante, os gatos pretos são os que mais sofrem, já que ninguém quer adota-los por conta das supertições. "Tem uma senhora que cuida de animais também, ali na outra esquina. Ela achou um gatinho que parecia ser de macumba, porque estava sem as presas e metade do corpo sem pelos. E isso foi bem depois da sexta-feira 13."

 

E para proteger os bichanos de atitudes como essa, elas continuam o trabalho. "O que nos motiva à ajudar são os próprios animais, porque é uma questão de saúde pública, e o CCZ tenta ajudar como pode, mas a demanda é muito grande. Então é muito bom saber que o bichinho doente vai se recuperar através da nossa ajuda", confessa Sahra.

Se você quiser ajudar, doando remédios e rações às irmãs ou prestando qualquer outro tipo de serviço, é só entrar em contato com a Najla pelo telefone (67) 9202-3326 ou pelo e-mail najlagadia@gmail.com.



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