Se fosse para escolher uma galinha para chamar de elegante, a Sebright provavelmente estaria entre as primeiras da lista. Pequena, ornamental e cheia de detalhes, a ave britânica chama atenção principalmente pelas penas, que parecem ter sido cuidadosamente desenhadas à mão.
A aparência quase “perfeita” não é resultado de pintura nem de qualquer intervenção estética. O efeito vem da genética e de um processo de seleção iniciado por volta de 1800 pelo fazendeiro e oficial do Exército britânico Sir John Sebright.
A raça foi desenvolvida a partir do cruzamento de diferentes aves pequenas. Segundo especialistas, a variedade dourada teria origem em cruzamentos envolvendo Nankin, aves do tipo Hamburgo e pequenos galos de combate. A versão prateada surgiu posteriormente.
O processo até chegar à plumagem característica levou anos. Informações do Departamento de Ciências Animais e Alimentares da Universidade Estadual de Oklahoma indicam que a seleção genética demorou cerca de duas décadas.
O resultado é uma ave com penas marcadas por contornos bem definidos, dando a impressão de que cada uma recebeu um acabamento individual.
A Sebright foi reconhecida oficialmente pela Associação Americana de Avicultura em 1874, nas variedades dourada e prateada.
Além da aparência diferente, a raça também chama atenção pelo tamanho. Os machos pesam cerca de 624 gramas, enquanto as fêmeas ficam pouco acima de 560 gramas.
Outro detalhe curioso é que galos e galinhas são bastante parecidos fisicamente. Eles têm dorso curto, peito cheio, asas grandes e cauda elevada. A diferenciação entre os sexos ocorre principalmente pela crista maior nos machos, além do comportamento e de características hormonais.
Segundo o biólogo Rafael Moreira, a Sebright costuma ser ativa, alerta, curiosa e bastante ágil.
Apesar de toda a beleza, a raça não foi desenvolvida para produção de carne ou ovos em grande escala. A principal função é ornamental.
No Brasil, a Sebright existe, mas ainda é considerada rara fora de criadouros especializados. Segundo Gerson Norberto, diretor técnico do BioParque do Rio de Janeiro, a raça aparece principalmente em plantéis ornamentais, coleções particulares e instituições zoobotânicas.
Ou seja: é pequena, não bota tantos ovos e também não é criada pela carne. Mas, quando o assunto é aparência, poucas galinhas conseguem competir.








