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PMCG - Prestação de contas

Vendedora de doces em terminal é exemplo de superação

Batalhadora

12 DEZ 2013
Renan Gonzaga
09h27min
Dona Herô e seus doces. Foto: Renan Gonzaga

"Eu sou distribuidora da alegria" - é assim que se define Dona Herô, aos 49 anos, quando perguntam sua profissão. Ela não revela seu nome nem por decreto e a justificativa é que desde criança ficou conhecida pelo apelido, e a mulher do nome de registro seria "outra pessoa".

Ela saiu de Cuiabá há cinco anos, para acompanhar a família que tentava ganhar a vida em Campo Grande. Trabalhar por conta própria, ter horários flexíveis e compromisso com os clientes, correr atrás de seu sonho e ganhar dinheiro com uma boa causa. Essa é a história de uma das vendedoras de doces mais conhecida na cidade.

Sua rotina é simples, porém cansativa. "Eu vou dormir 22h30 todo dia. E acordo cedo para arrumar os doces porque todo trabalho é confeccionado por mim. Faço, deixo esfriando para no outro dia embalar os bombons, paçocas e pés de moça", explica a comerciante.

 

Toda renda da família, além do dinheiro dos doces, tem contribuição do marido e do casal de filhos. "Meu trabalho aqui ajuda e muito, dá para pagar umas contonas. Mas meu esforço é dobrado e eu não dependo só de vir aqui. Atendo um aniversário ali, um mercadinho aqui", afirma.

"Meus filhos todos trabalham, meu marido trabalha. Isso aqui eu tomo como terapia ocupacional. Porque se você ficar em casa parado você apodrece, né? E eu não vou ficar na dependência de ninguém."

Sua amiga Nilsa Garcia, conheceu Herô no terminal, indo para o trabalho, e assegura que nunca ouviu a vendedora reclamar da vida. "Ela está aqui todos os dias vendendo os produtos dela, firme e forte. E quando ela não vem todo mundo sente falta", conta a operadora de telemarketing.

 

CORRENDO ATRÁS DO SONHO

Começou seu trabalho andando de ônibus e carregando o produtos pelos terminais e hoje já possui um carro comprado com a ajuda do esposo. Só que isso não é suficiente. Seu sonho é um adquirir um caminhão para correr o mundo vendendo seus bombons. "Eu quero e vou conseguir um câmara fria. E tem que ser vermelho", destaca.

 

Pelo jeito já está na metade do caminho, porque, orgulhosa, exibe sua carteira de motorista categoria D. "E como prova que eu tô chegando lá, essa aqui é a licença da D, e eu já estou mudando de categoria. No ano que vem eu parto para uma E. Aí sim eu conseguirei".

"O que eu quero é muito alto, mas eu divido em partes. Vou devagarzinho, passo a passo. Faço uma coisa aqui e vou até chegar onde quero. Não importa se será com 100 anos, com 200 anos, mas eu vou chegar. O segredo é não desistir."

E a torcida por parte dos clientes é grande. "Ela quer esse caminhão baú, e nem que esteja com 90 anos e só entre, abra a janela e dê um tchauzinho de tão velha, mas vai conseguir. E isso não vai demorar não, porque ela ganha muito dinheiro aqui. Em alguns anos ela alcança", garante o cliente Cesar Bastianello.

EXEMPLO DE VIDA

Depois de conquistar muitos sorriso no terminal, e fazer muitos amigos, Dona Herô conseguiu se firmar como exemplo de perseverança para muitas pessoas. E o segredo de tudo isso é simples. "A gente não pode é cruzar os braços, deixar as pedras caírem na cabeça sem lutar", exalta.

"Tem dias que você acorda e pensa em não vir, mas você respira fundo e já lembra necessidade de alguém, que pode estar com sede aqui no terminal. Aí eu venho. Não é só vender, você tem que fazer o bem, porque alguém está precisando do seu sorriso, do seu olhar, da sua pessoa”.

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