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Campo Grande

há 3 semanas

Advogado é preso por obstrução da Justiça durante investigação do Gaeco em MS

Alvo da Operação Snow, o profissional entregou o celular de outra pessoa para as equipes, fato considerado 'dissipação probatória', para ocultar conversas e dados

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), denunciou um advogado de 55 anos pelo crime de obstrução da Justiça no âmbito da Operação Snow.

O profissional está preso preventivamente desde a última sexta-feira, 9 de janeiro, acusado de agir deliberadamente para dificultar o acesso a provas consideradas fundamentais para o avanço das investigações.

A Operação Snow apura a atuação de uma organização criminosa especializada no tráfico interestadual de drogas, com a suposta conivência e corrupção de policiais. Segundo a denúncia, o advogado era alvo de mandado de busca e apreensão que determinava a entrega de seu telefone celular de uso cotidiano, por ser considerado peça-chave para a coleta de provas.

De acordo com o MP, o investigado inicialmente resistiu ao cumprimento da ordem judicial, questionando a legalidade da medida. Após os questionamentos serem rejeitados pela 3ª Vara Criminal de Campo Grande, ele foi advertido formalmente sobre as consequências penais em caso de descumprimento.

Somente em 19 de fevereiro de 2025, o advogado compareceu à sede do Gaeco para entregar um aparelho. No entanto, a perícia técnica revelou que o celular não pertencia ao investigado, mas a um terceiro. Além disso, o dispositivo estava sem cartão SIM, sem cartão de memória e não continha registros compatíveis com uso cotidiano, como fotos, vídeos, histórico de mensagens ou de navegação.

Para os promotores de Justiça do Gaeco, a conduta configurou uma tentativa clara de “dissipação probatória”, com o objetivo de ocultar possíveis conversas e dados que poderiam ligar o advogado a líderes da organização criminosa e a esquemas de corrupção envolvendo agentes públicos.

As investigações apontam que o advogado teria exercido um papel estratégico dentro do grupo criminoso, extrapolando os limites da atuação profissional. Relatórios de inteligência indicam que ele atuava na chamada “blindagem” de integrantes da organização e teria intermediado o pagamento de propinas a policiais, visando a liberação de caminhões carregados com drogas.

A denúncia sustenta que a ocultação do aparelho verdadeiro e a entrega de um celular “limpo” configuram o crime previsto no artigo 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013, que trata das organizações criminosas. A pena prevista para o delito varia de 3 a 8 anos de reclusão.

Diante da gravidade dos fatos e do risco à instrução processual, o Ministério Público defendeu a prisão preventiva do investigado, já decretada pela Justiça, como forma de garantir a preservação das provas e a continuidade das investigações.

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