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Campo Grande

há 10 minutos

Barulho, sujeira e preservativos jogados nos quintais: moradores sofrem com festas no Centro (vídeo)

Moradora diz que região passou a enfrentar problemas mais intensos nos últimos dois anos e que comunidade tem feito denúncias e acionado fiscalização

Barulho durante a madrugada, sujeira nas ruas, pichações e até preservativos usados jogados dentro de quintais. Esses são alguns dos transtornos relatados por moradores do Complexo Ferroviário, na região central de Campo Grande, diante do aumento do movimento de bares e festas no local.

Ao TopMídiaNews, uma moradora de 31 anos, que vive na região há sete anos, contou que os problemas se intensificaram nos últimos dois anos, com o crescimento da concentração de estabelecimentos de entretenimento.

Segundo ela, os moradores passaram a se organizar para cobrar fiscalização dos órgãos públicos. A comunidade afirma ter registros em vídeos, boletins de ocorrência e diversas reclamações feitas pelo telefone 156.

“Os moradores se organizaram coletivamente para buscar uma solução de forma pacífica e dentro da legalidade”, relatou.

A moradora afirma que os transtornos vão além do barulho. Segundo ela, após eventos e durante a movimentação noturna, ficam copos e garrafas espalhados pelas ruas. Em alguns casos, objetos teriam sido arremessados para dentro dos imóveis. “Além do barulho, deixam sujeira, muitos menores de idade e pessoas se drogando e fazendo sexo na rua”, afirmou.

Ela também relata ter encontrado preservativos usados dentro do quintal e cita episódios de pichação nas paredes das casas.

Outro problema apontado pelos moradores é a insegurança. Segundo ela, a circulação de pessoas desconhecidas durante a noite aumenta a sensação de vulnerabilidade de quem vive na região. “Estamos frequentemente expostos a isso”, disse.

A moradora afirma que a situação afeta principalmente idosos, famílias com crianças pequenas e pessoas que precisam descansar durante a noite. Ela conta que tem um filho dentro do espectro autista e que o excesso de barulho também interfere na rotina da família.

Moradores dizem que precisaram ser revistados

Segundo a moradora, durante o evento que seria realizado neste sábado (29), moradores chegaram a precisar se identificar e passar por revista para conseguir entrar nas próprias residências.

Ela afirma que, diante dos transtornos, os moradores acionaram a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) para que a situação fosse fiscalizada.

De acordo com ela, a atuação dos agentes nos últimos tempos trouxe melhora para quem vive na região.

“O trabalho de fiscalização da GCM e da Polícia Militar tem garantido aos moradores condições de ter um descanso em suas residências”, afirmou.

Evento foi embargado

O relato dos moradores ocorre após o embargo do Sarau Delas, evento que seria realizado no sábado (29), no Centro de Campo Grande. A programação era organizada por mulheres e voltada à visibilidade lésbica.

A fiscalização foi criticada pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), que esteve no local e classificou a ação como “arbitrária”. A parlamentar questionou o número de agentes e o armamento utilizado durante a abordagem.

As organizadoras também contestaram a fiscalização e afirmaram que tinham autorizações para a realização do evento. Segundo elas, a programação teria apresentações musicais, exposições e outras atividades culturais.

As responsáveis pelo Sarau Delas afirmaram que possuíam autorização da Agetran para utilização da via e documentação relacionada ao uso da área tombada pelo Iphan. Também disseram ter contratado segurança privada.

Em nota, movimentos envolvidos na organização repudiaram o embargo e afirmaram que pretendem tomar medidas jurídicas.

A Prefeitura de Campo Grande foi procurada para informar quais irregularidades foram encontradas no evento e comentar as reclamações dos moradores, mas não havia respondido até a publicação desta matéria.

 

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